Civil 20 promove evento paralelo sobre economias justas, inclusivas e antirracistas na ONU
“A coisa mais revolucionária que podemos fazer nos dias atuais é propagar a esperança”, destacou Alessandra Nilo, chair do C20, no evento paralelo que ocorreu no contexto da Cúpula do Futuro, em Nova York. Compuseram a mesa, a primeira-dama do Brasil, a socióloga Janja Lula da Silva, e o diretor-geral de Relações Internacionais e sherpa da África do Sul no G20, Zane Dangor.

O Planeta está ficando mais quente, e isso está acontecendo de forma muito rápida. Em um contexto de maior tensão e poli-crises, com a acelerada perda da biodiversidade, emergência climática, interrupções econômicas e conflitos internacionais, mais do que nunca é urgente acelerar a implementação de acordos-chave, como a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), o Plano de Ação de Adis Abeba por financiamento e cooperação para o desenvolvimento sustentável e a outros diversos acordos climáticos.
Para refletir sobre esta realidade, aconteceu, durante a Cúpula do Futuro, na sede da ONU, em Nova Iorque, Estados Unidos da América, o evento paralelo “Economias justas, inclusivas e antirracistas para não deixar ninguém para trás”, uma iniciativa do Civil 20 (C20), grupo de engajamento da sociedade civil no G20 Social, ao lado da ONU Mulheres e dos governos do Brasil da África do Sul.
O evento discutiu um conjunto de propostas em construção no G20 para enfrentar desafios mundiais considerando que o foco nas prioridades estabelecidas pela presidência brasileira no fórum — combate à fome, à pobreza e às desigualdades, promoção do desenvolvimento sustentável e reforma da governança global — são parte essencial das reflexões que levam não apenas à Cúpula do Futuro, mas também à IV Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento e à Convenção Global sobre Tributação.
A socióloga também destacou a importância de colocar mulheres na centralidade das políticas econômicas, como motor à igualdade de gênero. “A disparidade de gênero nestes espaços é algo que nós, mulheres, não podemos mais aceitar. Em regiões afetadas por conflitos armados e pela mudança do clima, as disparidades no acesso à alimentação são ainda mais profundas e demandam políticas públicas que contemplem as questões de gênero e raça”, colocou a socióloga.
Na pauta, a importância da questão de gênero nas políticas públicas, do enfrentamento à pobreza energética e da adesão dos países à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pela presidência brasileira do G20. A mediação do encontro foi da chair do C20, Alessandra Nilo, com participação da primeira-dama do Brasil, a socióloga Janja Lula da Silva, e do diretor-geral de Relações Internacionais da África do Sul, Zane Dangor. Dangor é sherpa do país, que em 2025 assume a presidência do G20.
Janja, representando o governo brasileiro, destacou que não há solução única para a fome e a pobreza, mas que a determinação política dos líderes globais, a troca de experiências, a cooperação e o investimento de recursos podem, efetivamente, erradicar de vez esses problemas. A socióloga também destacou a importância de colocar mulheres na centralidade das políticas econômicas, como motor à igualdade de gênero. “A disparidade de gênero nestes espaços é algo que nós, mulheres, não podemos mais aceitar. Em regiões afetadas por conflitos armados e pela mudança do clima, as disparidades no acesso à alimentação são ainda mais profundas e demandam políticas públicas que contemplem as questões de gênero e raça”, colocou a socióloga.
“A sociedade civil está comprometida em debater e contribuir para as transformações, as transformações que a gente sonha, em conjunto com os governos, com objetivos e metas para garantir o desenvolvimento sustentável. A coisa mais revolucionária que podemos fazer nos dias atuais é propagar a esperança”, destacou Alessandra Nilo, ao corroborar que o alcance de soluções passa pelo alívio de dívidas e reformas nas instituições financeiras internacionais, nos bancos multilaterais de desenvolvimento e na arquitetura tributária global, com destaque ao apoio a políticas fiscais e financeiras antirracistas e sensíveis ao gênero, capazes de transformar o mundo.
A Cúpula do Futuro, evento que antecipa a Assembleia Geral da ONU, encerrou nesta segunda-feira (23). De 24 a 30 deste mês a Assembleia se reúne também em Nova Iorque, com outros eventos paralelos do G20 na programação.