Cobertura do G20, entrevista com ministro e busca por notícias relevantes na pauta dos jovens repórteres em Teresina
Jovens repórteres do podcast PodCeti, ligado ao Ceti José Pereira da Silva, em Teresina (PI), entrevistaram o ministro Wellington Dias (MDS) em coletiva de imprensa durante reunião da Força-tarefa para a construção da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Projeto visa estimular adolescentes a diminuir contato com redes sociais e a consumir e produzir notícias de qualidade sobre o Brasil e o mundo.

Em 2022, o professor Bruno Santos queria despertar a criatividade dos estudantes e tornar as aulas mais dinâmicas. Por isso ele criou o PodCeti - um podcast produzido por alunos do Centro Estadual de Tempo Integral José Pereira da Silva em Teresina (PI). O podcast aborda temas importantes e atividades relacionadas ao dia a dia da escola e oferece aos alunos a oportunidade de atuar como comunicadores.
A estudante e participante do projeto Lívia Maria de Jesus Araújo, 17 anos, conta que sua motivação para participar do projeto é a vontade de estimular os colegas a ter interesse por notícias e fatos que estão acontecendo na escola e fora dela. Lívia acredita que os jovens têm acesso a muitos conteúdos hoje em dia e acabam consumindo vídeos leves e divertidos a maior parte do tempo.
‘’Para minha geração é importante porque os jovens recebem muitas notícias que não são importantes. Eles têm acesso às redes sociais, são informados por ela, mas não sabem o que é o G20 e o peso que ele tem para o Brasil, por exemplo’’, analisa a jovem.
Para o educador, a reunião do G20, em Teresina, é uma boa oportunidade para os alunos acompanharem a discussão em torno do combate à fome e perceberem a importância da ajuda mútua para enfrentar os desafios. ‘’Nos não vivemos sozinhos, precisamos da ajuda uns dos outros. E aqui posso mostrar a eles como uma nação está ajudando a outra a pensar uma solução para a fome e a pobreza”.
Além de levar informação para os colegas, Lívia conta que teve experiências nunca antes imaginadas, como conhecer o presidente Lula durante o lançamento nacional do projeto Pé de Meia em Brasília. ‘’Gosto de participar do projeto porque tive experiências que nunca imaginei viver. O projeto tem me proporcionado muitas coisas novas”.
O professor Bruno se sentiu honrado ao ver uma aluna conquistando novas experiências e um encontro com o Presidente da República. “Eu fico muito feliz porque eles podem ver como funciona o mundo fora da escola e vivenciar a prática da profissão de jornalista’’.

Como gente grande: jovens repórteres entrevistam ministro
Durante a coletiva de imprensa do ministro Wellington Dias do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate a Fome, realizada na abertura da reunião da Força-tarefa para a construção da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, nesta quarta-feira (22), a estudante Maria de Fatima de Sousa Simeão, 19 anos, teve a chance de questionar a autoridade sobre a importância, para o Piauí e o Brasil, de um evento que reúne as maiores economias do mundo. Segundo a estudante, é um privilégio poder sair da rotina escolar e observar como funciona uma reunião com atores da política internacional.
Já para Maria Gabriela do Nascimento, 16 anos, presenciar um evento do G20 proporciona o conhecimento de novas palavras e contribui para seu desenvolvimento como pessoa e estudante, além de prepará-la para uma carreira jornalística. Naturalmente comunicativa, tem o desejo de prestar vestibular para jornalismo e seguir carreira na área.
Mais livros, menos internet
Ciente do apelo que as redes sociais causam nos adolescentes, o professor Bruno defende o papel da educação para orientar as novas gerações. Atualmente, novas disciplinas foram inseridas no currículo do Ensino Médio, portanto a criação de uma voltada para blindar os estudantes contra as fake news seria de extrema importância. Na sua visão, é preciso ensinar como ter senso crítico para que os estudantes saibam diferenciar o que é uma notícia verdadeira e o que é uma falsa.
Além disso, devido a sua prática diária em sala de aula, o professor é a favor do incentivo à leitura de livros e de restringir o tempo que os adolescentes passam no celular. Ele observa que os estudantes estão perdendo o poder de concentração e têm dificuldade de ler um texto longo. Durante um simulado aplicado recentemente, alguns pediram o celular de volta após duas horas, mas a prova do Enem dura quatro horas. O professor se diz preocupado com a situação.
“Acho que mais livros e menos redes sociais ajudaria os adolescentes. Podemos ter comunicação, mas sem educação não podemos ir em frente porque a educação é o que transforma a vida dos alunos”, acrescenta.