Com atenção à justiça social na ciência, Science 20 aprova documento a líderes do G20
O grupo de engajamento de Ciência e Tecnologia do G20 Social encerrou sua Cúpula nesta terça-feira (02) e finalizou seu documento de recomendações aos líderes de Estado e governo do fórum. Com alinhamento à Agenda 2030 das Nações Unidas, justiça social foi um tema que permeou todos os eixos de recomendação

O grupo de engajamento Science 20 (S20), que debate ciência e tecnologia no G20 Social, encerrou sua Cúpula nesta terça-feira (02). Após dois dias de reunião, no Rio de Janeiro, sob coordenação da presidenta da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, o grupo avançou nos temas de inteligência artificial, bioeconomia, transição energética, saúde e justiça social.
O destaque foi a finalização do documento que reúne recomendações aos líderes de Estado e governo do G20 sobre estes cinco eixos. Um passo concreto rumo às Cúpulas de novembro (de Líderes e do G20 Social), também na capital fluminense. Para a doutora Helena Nader, o Brasil está cumprindo um papel de liderança importante e pode fazer a diferença no G20, em um contexto de valorização dos debates do Sul Global. Bem como no G20, o S20 compõe sua troika junto a Índia e África do Sul, respectivamente a última (2023) e a próxima (2025) presidência do fórum.
“Houve nessas discussões, na maneira como o Brasil propôs e ouviu a todos, a construção de um documento coletivo, com uma maior sensibilidade. Existem necessidades e enfoques do Sul Global que o G20 pode fazer. O Brasil está sendo uma liderança que pode fazer mudanças dentro desse G20, com os engajamentos sociais, como conosco da Ciência e Tecnologia”, declarou a biomédica que coordena o S20 neste ano.
A presidenta da ABC também detalhou o lema do grupo neste ano, que é “Ciência para a transformação global”, explicando o alinhamento à Agenda 2030 das Nações Unidas, que foca em erradicar a pobreza e promover vida digna a todos. Neste sentido, o eixo de justiça social atravessa todos os demais temas do S20.
“A Agenda 2030 está batendo na porta, 2030 é amanhã. Foram 193 países que assinaram essa declaração em 2015 e dentre esses estão, é claro, os países membros do G20. Mas, se a gente trouxesse os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) para essa discussão, muita gente não iria prestar atenção, por isso nós trouxemos temas que estão contidos dentro dos objetivos, mas de outra forma. Na justiça social entra equidade, questão de gênero, de raça, tudo aquilo que a gente sonha”, colocou ela.
Para a doutora Helena Nader, o Brasil está cumprindo um papel de liderança importante e pode fazer a diferença no G20, em um contexto de valorização dos debates do Sul Global. Bem como no G20, o S20 compõe sua troika junto a Índia e África do Sul, respectivamente a última (2023) e a próxima (2025) presidência do fórum.

O Science 20 é o primeiro grupo, entre os 13 do G20 Social, a concluir o documento, que deve ser assinado pelas presidências das academias de ciências dos países do grupo até 19 de julho.
Confira um resumo das aprovações:
Inteligência Artificial
Criar políticas em uma economia impulsionada por IA fundamentadas em princípios éticos compartilhados para assegurar inovação casada à segurança no emprego e os direitos dos trabalhadores;
Contribuir para estabelecer regulamentações de IA e padrões de governança de dados de maneira justa e que defendam valores humanos;
Trabalhar em conjunto para criar e compartilhar grandes conjuntos de dados científicos valiosos e bem curados e;
Buscar estabelecer estruturas intergovernamentais para supervisionar tecnologias de IA que possam operar além do controle ou supervisão humana.
Bioeconomia
Os países do G20 devem chegar a um consenso sobre o papel da bioeconomia como uma das estratégias para enfrentar as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a pobreza e questões da saúde humana e não humana e;
Formular um quadro de políticas conjuntas que permita aos países implementar programas de bioeconomia, investir em inovações sociais e tecnológicas, compartilhar conhecimentos críticos, melhorar a qualidade de vida e proteger os recursos naturais.
Transição Energética
Os esforços gerais para reduzir as emissões no processo de transição energética devem se basear no aumento do uso de fontes de energia com baixas emissões, em combinações variáveis de um país para outro, avançando para a eliminação progressiva do carvão e;
A captura, utilização e armazenamento de carbono devem ser utilizados para minimizar as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis.
Desafios à Saúde
Garantir o acesso global a vacinas, medicamentos e ferramentas de diagnóstico essenciais para todos;
Promover produção local e regional sustentável através do desenvolvimento de capacidades em pesquisa, inovação, compartilhamento de conhecimento e transferência de tecnologia;
Promover estratégias de comunicação eficazes para disseminar informações de saúde, combater a desinformação e conduzir campanhas de saúde;
Desenvolver políticas para promover estilos de vida saudáveis, incluindo atividade física e nutrição de qualidade e;
Alavancar recursos globais focados nos impactos da saúde pelas mudanças climáticas e ambientais, com foco em grupos com vulnerabilidades conhecidas, como aqueles expostos a eventos climáticos extremos.
Justiça Social
Expandir a infraestrutura para acesso universal à internet e aumentar a alfabetização digital para garantir que todos os segmentos da sociedade se beneficiem dos avanços digitais;
Formular abordagens inclusivas e equitativas para o desenvolvimento digital e;
Abordar a desinformação relacionada à ciência nos meios de comunicação digital para evitar impactos adversos na sociedade, ao mesmo tempo em que se desenvolvem estratégias nacionais, regionais e globais envolvendo comunidades científicas e sociedade civil.
Nesta quinta-feira (04), o documento final do S20 será entregue aos sherpas do G20, em reunião inédita entre a Trilha de Sherpas e o G20 Social. Além do S20, os demais 12 grupos de engajamento também realizarão entregas.