Cria G20 promove debate sobre ações globais contra fome e pobreza na Cúpula do G20
Iniciativa Cria G20 reúne criadores digitais para produção de conteúdos sobre as prioridades brasileiras no fórum, incluindo experiências de influenciadoras e líderes em ações contra a insegurança alimentar.

Por Mara Karina Sousa-Silva/Site G20 Brasil
Possibilidades para enfrentar globalmente a fome e a pobreza estimularam o debate inaugural G20 Talks, que integra a programação do Cria G20, iniciativa que reúne criadores digitais para produção de conteúdos sobre as prioridades brasileiras do fórum, nesta quinta-feira, 14/11, durante a Cúpula do G20 Social, realizada no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro.
A sul-africana Nomzamo Mbatha contou sua experiência com ações que enfrentam a fome e a situação de pobreza no seu país. Como atriz e personalidade da TV, ela ressaltou que usa sua imagem pública para endereçar atenção à situação na África do Sul e mobilizar apoios públicos e privados para ajudar as pessoas. “Eu uso minha persona pública como uma forma de trazer consciência para coisas que outras pessoas podem não ser capazes de entender e captar completamente, sabe, eu acho, com tudo o que vimos com o conflito que testemunhamos nos últimos anos e tempos recentes”, exemplificou Mbatha.
Sobre o impacto das redes sociais para evitar o desperdício de comida, a influenciadora venezuelana Surthany Cooks contou que o objetivo dos conteúdos que produz é mostrar diferentes maneiras de usar os alimentos e ajudar outras pessoas que precisam, mas não têm acesso "Às vezes, não nos damos conta de que outra pessoa não tem acesso a algo tão básico como água todos os dias. Tento fazer com que, por meio dos vídeos, possamos tocar os corações das pessoas, especialmente das crianças que estão crescendo conosco, e incutir os valores de que sempre podemos contribuir um pouco mais com o nosso prato do dia a dia, se não vamos comer, não preparamos, não desperdiçamos, utilizamos”, explicou.
Aliança Global Contra a Fome
Janja da Silva, primeira-dama do Brasil, ressaltou a importância da Aliança Global Contra a Fome, uma iniciativa da presidência brasileira do G20. Ela lembrou que sua própria família passou por dificuldades com a fome quando migraram do Nordeste para São Paulo, e afirmou que essa é uma causa cara ao presidente Lula.
Janja defendeu que o lançamento da Aliança Global Contra Fome e a Pobreza pela presidência brasileira do G20 é uma oportunidade de levar a questão para a agenda global. “É a possibilidade de levar essa questão para o mundo para os países mais desenvolvidos que possam efetivamente contribuir para que a gente consiga mudar essa realidade global não só no Brasil”, afirmou.
Experiência do Brasileira
O Bolsa Família completou 21 anos e Tereza Campello, que participou da criação da política pública, lembra que quando o programa foi lançado, havia a compreensão de que acabar com a fome no Brasil era um desafio impossível. Ela conta que havia a ideia de que a pobreza e a fome eram naturais e inevitáveis. No entanto, Campello afirma que o Bolsa Família representou o entendimento de que era necessário agir para enfrentar esse problema.
“É um desafio de certa forma isso que nós estamos propondo para o mundo aqui também dizendo: não é natural, não é naturalmente que vai acabar (com a fome) e não é natural que continue. Nós temos que agir. Nós temos que atuar, né, então o Bolsa Família de certa forma, talvez seja o grito mais forte”, contou Campelo.
Campelo destacou que, mesmo após duas décadas, ainda há questionamentos sobre o Bolsa Família, com pessoas perguntando se não seria melhor "ensinar a pescar" do que dar o peixe. Para ela, isso revela um preconceito em relação aos beneficiários, como se eles não soubessem ou não quisessem trabalhar. Tereza enfatizou que o Bolsa Família, junto com os pobres, enfrenta esse tipo de crítica persistente.