Crise global da arquitetura financeira internacional impõe desafios à África, defende especialista
Olivier Pognon é presidente de organização que apoia o fortalecimento das capacidades dos países africanos para lidar com a dívida externa. O advogado beninense destacou a necessidade de uma reforma na arquitetura financeira global durante debate do G20 na cidade brasileira de Fortaleza, alinhando-se com prioridades da presidência brasileira.

“Discutimos África hoje, mas existe uma crise global da arquitetura financeira internacional, em termos de receita, questões fiscais e orçamentárias em todo o planeta”, defendeu Olivier Pognon, presidente da African Legal Support Facility (ALSF), que participou do debate sobre o fortalecimento das capacidades dos países do continente para buscar soluções para o alívio da dívida externa e impulsionar o desenvolvimento da região. A reunião foi promovida pelo grupo de trabalho do G20 que trata sobre o tema nesta terça-feira (11) em Fortaleza, capital do estado brasileiro do Ceará.
A ALSF é uma instituição que atua para fortalecer as capacidades dos países africanos para acessar o sistema de financiamentos internacionais, fornecendo informações para que os governos estejam aptos para fazer o gerenciamento das dívidas “da maneira mais acertada possível” e evitar crises. Pognon avalia que os impactos dos desastres naturais nos países africanos precisam ser considerados pelas instituições financeiras globais e defende o aumento de créditos concessionais para a região.
Por uma arquitetura financeira global justa
Pognon indica que o continente africano responde por 4% dos fatores que agravam a crise climática no mundo, mas sofre de forma acentuada com os efeitos dos eventos climáticos extremos, resultado das emissões de carbono dos países mais ricos. Assim como o Brasil, recentemente várias regiões do continente enfrentaram inundações provocadas pelas fortes chuvas.
Pognon avalia que os impactos dos desastres naturais nos países africanos precisam ser considerados pelas instituições financeiras globais e defende o aumento de créditos concessionais para a região.

“É por isso que nós temos que rever a arquitetura internacional de financiamento para que nós possamos enviar mais empréstimos concessionais para questões de adaptação às mudanças climáticas, que ainda não recebem a atenção necessária. É preciso ter justiça no sistema financeiro internacional. Precisamos fazer nosso dever de casa, mas o sistema global também precisa ser justo e sustentável”, disse.
Entregas significativas
Mariana Davi, que integra a equipe da Trilha de Finanças do fórum coordenado pelo Ministério da Fazenda do Brasil, pontuou que a atividade com representantes africanos é uma das principais entregas do grupo pela construção de uma arquitetura financeira internacional mais justa, delineada como prioridade da presidência brasileira do G20.
“Algumas das proposições estão vinculadas a uma maior participação e representatividade dos países africanos nos organismos financeiros internacionais, a tentativa de que os bancos multilaterais de desenvolvimento também tenham participação maior na construção de soluções para as dívidas dos países africanos, prioridades da presidência brasileira do G20”, explicou a internacionalista.
“A África é uma parte crítica da equação quando se trata de reformar a arquitetura financeira global. Penso que é muito importante ouvir as perspectivas de todas as partes interessadas e envolvidas. É algo muito importante para o continente africano consultar sobre questões de gestão da dívida e, então, entrar em detalhes e aprofundar as dinâmicas relacionadas com os problemas de desenvolvimento e a acumulação de dívidas”, indicou Pognon.