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ARQUITETURA FINANCEIRA INTERNACIONAL

Crise global da arquitetura financeira internacional impõe desafios à África, defende especialista

Olivier Pognon é presidente de organização que apoia o fortalecimento das capacidades dos países africanos para lidar com a dívida externa. O advogado beninense destacou a necessidade de uma reforma na arquitetura financeira global durante debate do G20 na cidade brasileira de Fortaleza, alinhando-se com prioridades da presidência brasileira.

11/06/2024 17:04 - Modificado há 10 meses
Trilha de Finanças do G20 realizou evento paralelo que discutiu a divida dos países africanos e as possibilidades de financiamento para o desenvolvimento do continente, em Fortaleza/CE | Foto: Audiovisual G20 Brasil

“Discutimos África hoje, mas existe uma crise global da arquitetura financeira internacional, em termos de receita, questões fiscais e orçamentárias em todo o planeta”, defendeu Olivier Pognon, presidente da African Legal Support Facility (ALSF), que participou do debate sobre o fortalecimento das capacidades dos países do continente para buscar soluções para o alívio da dívida externa e impulsionar o desenvolvimento da região. A reunião foi promovida pelo grupo de trabalho do G20 que trata sobre o tema nesta terça-feira (11) em Fortaleza, capital do estado brasileiro do Ceará. 

A ALSF é uma instituição que atua para fortalecer as capacidades dos países africanos para acessar o sistema de financiamentos internacionais, fornecendo informações para que os governos estejam aptos para fazer o gerenciamento das dívidas “da maneira mais acertada possível” e evitar crises. Pognon avalia que os impactos dos desastres naturais nos países africanos precisam ser considerados pelas instituições financeiras globais e defende o aumento de créditos concessionais para a região. 

Por uma arquitetura financeira global justa

Pognon indica que o continente africano responde por 4% dos fatores que agravam a crise climática no mundo, mas sofre de forma acentuada com os efeitos dos eventos climáticos extremos, resultado das emissões de carbono dos países mais ricos. Assim como o Brasil, recentemente várias regiões do continente enfrentaram inundações provocadas pelas fortes chuvas. 

Pognon avalia que os impactos dos desastres naturais nos países africanos precisam ser considerados pelas instituições financeiras globais e defende o aumento de créditos concessionais para a região.

Foto: Audiovisual G20 Brasil
Foto: Audiovisual G20 Brasil

“É por isso que nós temos que rever a arquitetura internacional de financiamento para que nós possamos enviar mais empréstimos concessionais para questões de adaptação às mudanças climáticas, que ainda não recebem a atenção necessária. É preciso ter justiça no sistema financeiro internacional. Precisamos fazer nosso dever de casa, mas o sistema global também precisa ser justo e sustentável”, disse. 

Entregas significativas

Mariana Davi, que integra a equipe da Trilha de Finanças do fórum coordenado pelo Ministério da Fazenda do Brasil, pontuou que a atividade com representantes africanos é uma das principais entregas do grupo pela construção de uma arquitetura financeira internacional mais justa, delineada como prioridade da presidência brasileira do G20. 

“Algumas das proposições estão vinculadas a uma maior participação e representatividade dos países africanos nos organismos financeiros internacionais, a tentativa de que os bancos multilaterais de desenvolvimento também tenham participação maior na construção de soluções para as dívidas dos países africanos, prioridades da presidência brasileira do G20”, explicou a internacionalista. 

“A África é uma parte crítica da equação quando se trata de reformar a arquitetura financeira global. Penso que é muito importante ouvir as perspectivas de todas as partes interessadas e envolvidas. É algo muito importante para o continente africano consultar sobre questões de gestão da dívida e, então, entrar em detalhes e aprofundar as dinâmicas relacionadas com os problemas de desenvolvimento e a acumulação de dívidas”, indicou Pognon.

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