“É necessário regular as plataformas”: presidente do STF brasileiro concede exclusiva a jovens repórteres
Judiciário também é assunto de criança, com inteligência artificial e regulação das plataformas digitais na pauta. Estudantes da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, vinculados ao projeto Andar, desenvolvido pela prefeitura carioca, estiveram presentes na cobertura da Cúpula do J20, grupo de engajamento que representa as cortes supremas dos países do G20. A coordenação do grupo é do Supremo Tribunal Federal, presidido pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Os debates sobre inteligência artificial e combate à desinformação são, ao mesmo tempo, urgentes, complexos e interdisciplinares. Temas de discussão entre pesquisadores das mais diversas áreas, de autoridades de Estado e - por quê não? - também, de crianças. Se para jornalistas de muitos veículos estes são temas áridos, para as jovens repórteres desenvoltas da Agência de Notícias dos Alunos da Rede (Andar), projeto da Prefeitura do Rio de Janeiro, não.
Em cobertura da Cúpula do J20, grupo de engajamento que representa as cortes supremas dos países do G20, as pequenas abordaram o tema em entrevista com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso, que coordena o J20.
“No mundo atual, a desinformação, o ódio, a mentira, o sensacionalismo, teorias conspiratórias, têm mais engajamento que a fala educada e moderada, que a busca pela verdade possível. Por isso, é preciso regular, senão o mundo vai cair em um abismo, a desinformação rende dinheiro pro bolso de alguns.
“No mundo atual, a desinformação, o ódio, a mentira, o sensacionalismo, teorias conspiratórias, têm mais engajamento que a fala educada e moderada, que a busca pela verdade possível. Por isso, é preciso regular, senão o mundo vai cair em um abismo, a desinformação rende dinheiro pro bolso de alguns. Porém, além de regular, é necessário educar as pessoas e as plataformas precisam assumir responsabilidade em enfrentar a desinformação. O problema é que nem sempre é nítido o que é desinformação e o que é uma opinião legítima, então, preservar a liberdade de expressão e combater a desinformação envolve delimitar uma fronteira complexa”, colocou Barroso, ao complementar que cabe ao judiciário interpretar leis já existentes.
Além do ministro, as jovens repórteres entrevistaram outros participantes do evento e Lucas Padilha, presidente do Comitê do G20 no Rio de Janeiro, cidade que sediou a Cúpula das Cortes Supremas, abordando os interesses do evento e as especificidades do grupo de engajamento.
Confira a cobertura e os bastidores na íntegra aqui
Promoção da integridade da informação: prioridade do G20
A posição de Barroso corrobora com os debates de integridade da informação, tópico em destaque no G20 neste ano e que foi tema de evento paralelo que ocorreu em São Paulo.
“O Brasil tem a experiência de ter vivido nos últimos anos os impactos da desinformação. Isso também é importante para que a pauta tenha sido bem aceita entre os países do G20. É evidentemente desafiador lidar com esse tema no fórum pela dimensão geopolítica. Temos duas guerras em curso, mas temos tido muita abertura de países com diferentes culturas políticas e realidades pela compreensão de que esse tema tem centralidade hoje na garantia da estabilidade política e econômica mundial”, avaliou João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República do Brasil, na oportunidade.
Visão das jovens repórteres
As alunas da Escola Municipal Anísio Teixeira, na Ilha do Governador, que estiveram no encontro, relataram como foi a experiência de cobertura, em especial da entrevista com o ministro do Supremo Tribunal Federal.
“Estar aqui foi muito bom, foi maravilhoso, a entrevista com o ministro foi tão incrível. O ministro do STF! Mas depois foi tudo muito bom. Ele respondeu muito bem às perguntas. Foi ótimo e eu me diverti muito”, contou Isis Alfaro, de 14 anos e aluna do 9º ano do ensino fundamental.
“Foi um momento único que eu vivenciei hoje e vou levar para toda a minha vida. Entrevistar uma pessoa tão importante, logo de cara, foi uma oportunidade incrível, foi ótimo. O dia de hoje vai ficar marcado para o resto da minha vida”, se entusiasmou a jovem Daphyne Constantino, de mesma idade e escolaridade.
As estudantes foram orientadas pelo professor Marcelo Oliveira, que explicou o processo de estudo e preparação até chegarem ao evento.
“Nos reunimos com as alunas e tivemos algumas reuniões. Antes da elaboração das perguntas para o ministro Barroso, fizemos uma pesquisa breve sobre o assunto, para identificar quais temas mais se relacionavam com o encontro. Chegamos aos temas de como as novas tecnologias podem ser utilizadas pela Justiça no combate às fake news e a morosidade da justiça. Quando se trata de assuntos jurídicos, precisamos pesquisar um pouco mais”, relatou Marcelo.
Mas que é G20?
O fórum das maiores economias do mundo pode parecer complexo, em sua dinâmicas e debates, à primeira vista, porém, não precisa quebrar cabeça, pois as e os alunos do Centro Integrado de Educação Pública Pablo Neruda, do Rio de Janeiro, te explicam:
O projeto
O projeto Papo Reto na Escola, da Escola Municipal Anísio Teixeira, é uma iniciativa da Secretaria de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Agência de Notícias dos Alunos da Rede, sob coordenação da MultiRio. No contexto do G20, fórum que reúne as maiores economias do mundo, o jornalismo mirim acontece no âmbito de uma parceria da Secretaria junto a Coordenação de Comunicação do G20.
Outros conteúdos, em formato textual, audiovisual e até quadrinhos podem ser acessados na página Kids 20.
Por Franciéli Barcellos