Em Minas Gerais, Brasil tem a oportunidade de lançar um olhar tropical do Sul Global sobre a transição energética
Segundo o ministro Alexandre Silveira, não há caminho para a transição energética fora do diálogo internacional, e receber uma reunião do G20 na capital mineira será importante para mostrar de perto às delegações as potencialidades brasileiras proporcionadas por um clima tropical.

Não poderia existir lugar melhor do que Minas Gerais para acontecer a 3º reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas, visto que 99% da matriz energética do estado é renovável. Minas é um símbolo para o Brasil e para o mundo do que pode ser feito para que países alcancem uma matriz com base em fontes limpas. Assim defendeu o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante a cerimônia de abertura do encontro do grupo de trabalho, nesta segunda-feira (27), em Belo Horizonte (MG).
Segundo o ministro, não há caminho fora do diálogo internacional, e receber uma reunião do G20 na capital mineira será importante para mostrar de perto às delegações as potencialidades brasileiras proporcionadas por um clima tropical e terra fértil. Ele ressaltou ainda que a “transição energética virá por bem ou por mal, porque os efeitos negativos estão batendo na nossa porta. Está aí os irmãos gaúchos sofrendo com a devastação do estado em consequência dos efeitos climáticos”, afirmou.
O vice-governador do estado, Mateus Simões, acrescentou que é preciso incluir o olhar tropical do Sul Global já que este países precisam de alternativas que não tragam um aumento dos custos para a população. “Devemos respeitar as características locais se queremos uma transição energética inclusiva. Por exemplo, há alternativas economicamente mais viáveis que a eletrificação de nossas frotas, e espero que possamos avançar nessas discussões”.
O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, lembrou que a capital mineira é conhecida como cidade jardim e ele está esperançoso com o encontro. “O trabalho desse grupo é de extrema relevância para o planeta, espero que o debate possa gerar ideias e ações para a preservação do nosso meio ambiente”, disse.
Governança Global
O carbono não obedece fronteiras, todos os seres humanos vivem em um único ecossistema. Por isso, o ministro Alexandre Silveira argumentou a favor de uma governança global para tratar a transição energética no mundo respeitando a paz e a prosperidade para alcançar um equilíbrio mundial entre os interesses conflitantes dentro do mercado mundial de energia.
Para Silveira, há dois pilares na questão - o da sustentabilidade e o da economia, portanto é necessário buscar um equilíbrio. “Mineiro não pode demonizar a mineração, é preciso nióbio (metal utilizado na indústria) para a transição, mas como fazer é o desafio. Porque o processo de extração e produção tem que ser seguro, as empresas não podem fazer como elas querem”.
Na sua visão, o Brasil precisa investir nas potencialidades naturais do país e assim gerar renda para as pessoas e um legado social e de preservação do meio ambiente. Ao mesmo tempo em que se posiciona no mundo como um dos líderes do Sul Global. E o G20 traz a possibilidade de buscar soluções em conjunto e chegar a uma concordância entre as nações.