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CULTURA

Entrelaçamentos entre Cultura e Mudança do Clima são temas de Seminário Internacional do G20

No escopo da agenda do Grupo de Trabalho de Cultura desta semana, o evento paralelo, com 11 painéis na programação, aprofundou debates sobre impactos das mudanças do clima no fazer cultural, ações artísticas que colaborem com a conscientização ambiental e sustentabilidade no setor. A agenda acontece em Salvador, Bahia.

06/11/2024 08:15 - Modificado há 5 meses
Os painéis ocorreram no Centro de Convenções de Salvador Foto: Divulgação/Ministério da Cultura
Os painéis ocorreram no Centro de Convenções de Salvador Foto: Divulgação/Ministério da Cultura

Qual o papel das ações culturais na mitigação de consequências da mudança do clima? Como fazer arte alinhada à sustentabilidade? Como pensar economia criativa neste cenário de urgência por soluções à dilemas socioambientais?

Estes foram alguns questionamentos que deram o tom a 11 painéis que compuseram a programação do último evento paralelo do Grupo de Trabalho (GT) de Cultura do G20, que nesta semana se reúne em Salvador, Bahia, também para suas reuniões técnica e ministerial. O “Seminário Internacional Cultura e Mudança do Clima”, nos dias 4 e 5 de novembro, convocou a comunidade que pensa e faz cultura no mundo a aprofundar as discussões sobre o assunto. 

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, na abertura do Seminário, enfatizou a importância do encontro, realizado às vésperas da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. “Esse esforço requer uma nova consciência sobre o papel humano, resgatando nossa memória de afetividade e responsabilidade ao nos relacionarmos com o meio ambiente. Precisamos tocar corações e mentes, pois cabe a cada um de nós ser agente promotor dessa mudança de comportamento e forma de pensamento”, disse ela.

Também participaram da abertura as ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.

Contribuições internacionais

No primeiro painel da segunda-feira (4), intitulado “Crise climática, uma crise de imaginação”, Alison Tickell, ativista do Reino Unido, destacou como a transversalidade da pauta ainda é novidade e como é importante ser reconhecida institucionalmente, como ocorre de maneira inédita no Brasil. “É a primeira vez que vejo tantos ministros falando sobre esse tema com tamanha paixão. O momento que estamos vivendo é excepcional e, sem dúvidas, terá consequências significativas. Assumir o cuidado com a natureza é uma parte necessária para a cultura. A crise climática é reflexo de valores extrativistas, a cultura pode transformar mentalidades e comportamentos em prol de uma melhora para o mundo”, afirmou.

Alison Tickell é fundadora da Julie's Bicycle, uma empresa sem fins lucrativos criada em 2007 para ajudar as artes e a cultura a agir sobre o clima e desenvolver um novo pensamento em sintonia com os desafios ambientais globais.

Já ao início dos debates da terça-feira (5), Fabio Scarano, doutor em ecologia na Universidade de St. Andrews, Escócia, contribui no painel “Cultura, cosmologias e clima”, ao destacar que tudo que reconhecemos como sagrado, e sentimos como tal, exprime cuidados. “Separamos arte, espiritualidade e natureza, mas está tudo interligado. A percepção da sacralidade da natureza é fundamental para inspirar cuidados. Tornamos tudo commodities e criamos desconexão. É tudo rápido, acelerado e desconectado”.

Para mudar o cenário climático, Scarano defende que cultura e ciência sejam sinônimos. “Quando separamos cultura e ciência erramos. Cultura é conhecimento e precisa estar com a ciência. Temos um paradoxo: reconhecemos o problema climático, mas não temos ação porque não sentimos. E para sentir é preciso ter cultura e arte. Essa coisa que está dentro de nós é o que transforma. Precisamos sentir. Queremos mudança no mundo, mas não queremos mudar”, observou.

A programação continua

Hoje e amanhã (6 e 7), o Seminário continua. Ao fim dos diálogos organizados em painéis, o momento será de oficinas. Seis atividades irão abordar questões como estratégias para redução de carbono por instituições culturais, comunicação popular e justiça climática, planos de conservação, resiliência e estratégias de adaptação no patrimônio cultural e o lançamento da pesquisa Cultura e Clima.

O objetivo é avançar nas discussões e oferecer aos profissionais da cultura oportunidades de aprendizado prático, com foco em soluções e ferramentas para implementar mudanças essenciais no setor e como a cultura pode contribuir para o debate amplo sobre mudança climática.

Realização

O “Seminário Internacional sobre Cultura e Mudança do Clima” é uma realização do Ministério da Cultura em parceria com a Unesco e a Organização de Estados Ibero- Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura no Brasil (OEI), com apoio do Governo da Bahia, da prefeitura de Salvador, do BYD, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e patrocínio do Youtube.

Texto com informações do Ministério da Cultura

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