G20 está engajado na construção de documentos sobre inclusão social, acesso à água e saneamento básico para o desenvolvimento
Em Salvador, na Bahia, GT de Desenvolvimento progrediu na criação de políticas de inclusão de minorias e financiamento para o saneamento básico. A discussão também abrangeu a promoção da igualdade étnico-racial e a inclusão de diversos grupos sociais. A expectativa é apresentar um documento final em julho.

Um dos desafios do Brasil é construir pontes de diálogo entre os países-membros, salientou Celeste Badaró, coordenadora do grupo de trabalho de Desenvolvimento do G20, que se reuniu esta semana em Salvador, capital da Bahia. A diplomata destacou que o fórum avançou na elaboração de documentos sobre políticas de inclusão de minorias; financiamento para melhorar o acesso à água e saneamento básico; e ampliação da cooperação trilateral.
O tema de saneamento e acesso à água recebeu bastante atenção nos debates, já que é um desafio para todas as nações. “Resolvemos trazer a necessidade de ter mais investimentos. Estamos negociando um documento para que os países do G20 façam um chamamento para mais investimentos na área, com atenção específica às comunidades rurais locais e isoladas, indígenas, que estão realmente fora da rede de saneamento para conseguir alcançar e incluir”, esclareceu Badaró.
O plano da presidência brasileira é engajar diferentes atores da sociedade civil e governos locais para conseguir avançar nessa pauta, compreendendo as necessidades, desafios e capacidades de cada país. “A ideia de que se todos participam e se sintam donos do processo. É algo que está sendo construído coletivamente. Acreditamos que a gente tem mais chances de conseguir fazer algo que seja sustentável e duradouro”, salientou.
Inclusão para o desenvolvimento
A presidência brasileira levou para o G20 o compromisso de avançar no cumprimento da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, com destaque ao ODS 18 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável), instituído de forma voluntária por iniciativa do Brasil, de promover a igualdade étinico-racial. “Estamos negociando um documento para trazer atenção política para a importância de promover políticas de inclusão social de mulheres, de pessoas negras, de pessoas com deficiência, de crianças, de pessoas em situação de rua”, exemplificou Celeste.
Badaró contou que o debate foi bem recebido e que o GT seguirá discutindo como implementar políticas de inclusão, em consonância com a realidade dos países. “Cada um traz a sua perspectiva nacional, o que sempre envolve um esforço de negociação, mas vamos conseguir construir o documento. Parte de que todos possam contribuir, cada um com diferentes aspectos baseados nas suas prioridades internas para fazer um documento mais rico, que não seja só a perspectiva do Brasil, mas de todos”, disse.
Na avaliação da diplomata, as delegações do G20 estão engajadas no documento final que será discutido pelos sherpas em julho, no Rio de Janeiro. Existem algumas diferenças relacionadas às prioridades locais dos países-membros que serão debatidas nas próximas reuniões do grupo.