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SUSTENTABILIDADE CLIMÁTICA E AMBIENTAL

G20 pré-aprova documento sobre gestão de resíduos e economia circular

Roteiro apresentado pela presidência brasileira ao G20 incorpora sugestões de países-membros e destaca o papel de governadores e prefeitos para a implementação de políticas públicas inclusivas. Documento pré-aprovado na reunião de Manaus inclui a perspectiva social e a dos povos originários na formulação de políticas ambientais.

21/06/2024 17:30 - Modificado há 9 meses
G20 pré-aprova documento sobre resíduos sólidos e economia circular e discute papel dos catadores para o sucesso das políticas. Foto: Audiovisual G20 Brasil

O G20 deu início à aprovação de um roteiro sobre gestão de resíduos e economia circular. O documento foi apresentado pela presidência brasileira e discutido na reunião do Grupo de Trabalho Sustentabilidade Ambiental e Climática do fórum, que aconteceu nesta semana em Manaus, capital do Amazonas, e inclui sugestões de vários países-membros como Canadá e Austrália. 

De acordo com Adalberto Maluf, secretário de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil (MMA), o Brasil levou para o G20 o conceito de economia circular inclusiva, focada em ações de resíduos sólidos e fechamento de lixões. Hoje, 38% do resíduo no mundo ainda não tem uma destinação correta. 

“Criamos alguns conceitos internacionais de critérios para fazer o empoderamento dos catadores, a ampliação da reciclagem, as estratégias nacionais de aumento de compostagem, de redução do desperdício de alimentos e trouxemos esses novos conceitos que ainda não existiam a nível mundial da economia circular inclusiva, pensando em todo o impacto que o aumento da reciclagem, essa cadeia tem nos trabalhadores informais, nas ações que precisam ser feitas do ponto de vista de promover a maior circularidade”, declarou Maluf. 

Além disso, o secretário disse que as discussões estão alinhadas a nível global pela criação do critério de promoção de design de produtos e redução dos materiais que não podem ser reciclados para aumentar a circularidade dos produtos do ponto de vista técnico e biológico. A proposta é impactar governadores e prefeitos dos países-membros do G20 para executar políticas públicas de gestão de resíduos sólidos. 

“Saímos com uma estratégia de implementação que o Brasil propôs para que a economia circular não seja só um conceito e sim uma estratégia de implementação, um caminho de para atuação dos governos subnacionais. A presidência brasileira inovou em trazer o papel de prefeitos, dos governos subnacionais, que em última instância são aqueles que executam as políticas de gestão de resíduos e promoção da economia circular”, pontuou.

Adalberto Maluf, do MMA, e o embaixador André Corrêa do Lago em coletiva com a imprensa de Manaus, nesta sexta-feira, 21.
Adalberto Maluf, do MMA, e o embaixador André Corrêa do Lago em coletiva com a imprensa de Manaus, nesta sexta-feira, 21.

Perspectiva social na gestão de resíduos sólidos 

O embaixador André Corrêa do Lago, secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ministério das Relações Exteriores (MRE), destacou que os países-membros concordaram em integrar a perspectiva social como significativa às discussões sobre gestão de resíduos sólidos. Corrêa do Lago ressaltou que o Brasil, juntamente com países como Canadá e Austrália, foram enfáticos sobre a inclusão das populações originárias na formulação de políticas ambientais. Para ele, o foco recente nessas comunidades é um avanço importante, refletindo uma nova percepção global sobre a necessidade de considerar as culturas e conhecimentos tradicionais na busca por soluções sustentáveis.

“Quando o Brasil apresenta a questão dos catadores, a gente se dá conta da quantidade de países do G20 nos quais os catadores existem, são desconsiderados ou são esquecidos.  Foi muito impressionante esse foco do Brasil e o quanto os países estão reagindo bem. Esse debate está permitindo que a gente prepare documentos úteis e que vão ser levados para as demais etapas do fórum, até a reunião da Cúpula de Líderes”, indicou Lago sobre o encontro dos presidentes dos países-membros do G20, que acontece em novembro no Rio de Janeiro.

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