“Guardiões do amanhã”: Y20 fecha declaração pedindo maior participação dos jovens nos processos decisórios
Comunicado do grupo de engajamento que representa a juventude, será entregue aos líderes do G20 e defende a implementação de taxação progressiva de riquezas, auditoria de Inteligências Artificiais e cessar-fogo imediato em Gaza. O grupo propõe ainda a criação de um Fundo Global para a Juventude, que financie ações e iniciativas para este público.

Por Tiago Santos de Souza / Site G20 Brasil
A Cúpula do Youth 20 (Y20), evento que reuniu 145 delegados dos países do G20 e cerca de 2 mil jovens brasileiros no Rio de Janeiro, encerrou com a aprovação unânime de um comunicado ou (Communiqué), que será entregue aos Chefes de Estado do G20 em novembro. Entre as demandas estão a criação de uma nova arquitetura fiscal baseada em taxação progressiva de riquezas, auditoria de Inteligência Artificial (IA), implementação de um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e a criação de um Fundo para a Juventude, que financie ações e iniciativas para este público.
“Temos interesse direto em promover mudanças estruturais que impeçam a perpetuação das crises atuais. Nesse sentido, a juventude do Youth 20 não se limita a debater a governança global, mas busca se envolver ativamente nela. Nós nos recusamos a ser meros fiadores de uma dívida histórica que inevitavelmente cairá sobre nossos ombros no futuro. Somos os Guardiões da Juventude do Amanhã: aspiramos um futuro seguro e digno”, expressam as juventudes das maiores economias do mundo, organismos internacionais e entidades convidadas.
Neste apelo, de uma maior consideração e fomento à presença da juventude em processos deliberativos, o grupo de engajamento propõe o estabelecimento de um secretariado permanente, a partir de um “Grupo de Impacto e Assessoria de Juventude”. A ideia é que o grupo seja composto por ex-delegados do Y20, que trabalhem em viabilizar caminhos de financiamento, como programas de bolsas ou subsídios que garantam condições materiais para a participação e formação de lideranças jovens do globo.
Marcus Barão, presidente do Y20, afirmou que o documento reflete a urgência das mudanças globais e o papel fundamental da juventude: "os jovens cumprem, historicamente, um papel de tensionar, propor soluções inovadoras e cobrar novas formas de enfrentar as crises. Esse Communiqué é um reflexo da potência da maior geração de jovens da história."
O documento propõe a criação de mecanismos para regulamentar a IA, com a implementação de auditorias para garantir sistemas justos e imparciais, além de medidas para proteger os trabalhadores no contexto da automação e inovação tecnológica. Faz a defesa de um novo sistema fiscal global que aborde as desigualdades sociais e combata a evasão fiscal, garantindo que os recursos sejam direcionados para políticas que beneficiem os jovens.
O Communiqué também faz um apelo por uma transição energética justa, reconhecimento de refugiados climáticos, desmatamento zero até 2030, o incentivo a práticas agroecológicas e inovadoras na indústria alimentícia e inclusão de educação ambiental e climática nos currículos escolares. Mahryan Sampaio, delegada brasileira na área ambiental, destacou que "a mudança global do clima agrava as desigualdades sociais pré-existentes, e nosso maior desafio é alcançar uma relação de equilíbrio entre a humanidade e a natureza."
O encontro ressaltou a importância da inclusão de grupos marginalizados, como mulheres, jovens indígenas e pessoas com deficiência na governança global, e reiterou a necessidade de reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) para torná-la mais inclusiva e representativa.
Ronald Sorriso, Secretário Nacional de Juventude do Brasil, afirmou que "o comunicado do Y20 apresenta sugestões sólidas para superar gargalos históricos e lidar com a nova realidade tecnológico-social do trabalho, com foco na proteção e garantia de direitos das juventudes."