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SAÚDE

Impactos das determinantes sociais em doenças é foco do GT de Saúde em Salvador

Os efeitos da pandemia de Covid-19, que ampliou desigualdades globais, e a importância de políticas de saúde equitativas, são pauta do encontro que vai até quinta (6), na primeira capital do Brasil.

04/06/2024 18:00 - Modificado há 10 meses
Delegações do GT de Saúde do G20 discutem, na cidade de Salvador, acesso justo a serviços e investimentos para qualidade de vida | Foto: Matheus Sarmento/MS

Qual a influência dos determinantes sociais no acesso à saúde? Como garantir serviços de saúde integrais e equitativos para as populações vulneráveis? Essas questões estão em debate durante a reunião presencial do Grupo de Trabalho de Saúde do G20, que começou nesta segunda-feira (3) em Salvador, no estado brasileiro da Bahia. 

Especialistas em saúde que representam os países no G20 compartilharam experiências sobre determinantes sociais. Dados do Ministério da Saúde do Brasil indicam que, entre 2017 e 2021, mais de 59 mil brasileiros morreram de doenças determinadas socialmente. “Trazemos um debate que vai ser importantíssimo para o futuro da saúde. Estamos construindo as condições para tomar medidas concretas ao final do ano, com base no consenso”, explicou o coordenador do GT Saúde e chefe da Assessoria Internacional do Ministério brasileiro, embaixador Alexandre Ghisleni.

Durante os debates, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destacou a necessidade de investir em programas de nutrição e educação em saúde. No encontro, delegações também apresentaram iniciativas sobre segurança dos pacientes e enfatizaram os impactos da pandemia de Covid-19, que aumentou as desigualdades preexistentes. Para os membros do GT, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida são indissociáveis.

Iniciativa brasileira para combater doenças determinadas socialmente

A condição de saúde é influenciada por fatores ambientais, sociais e econômicos. No Brasil, onde há profundas desigualdades, algumas doenças afetam mais as populações em áreas de maior vulnerabilidade social. A eliminação dessas doenças requer políticas públicas estruturais e ações amplas, incluindo acesso à saúde, saneamento, inclusão social, educação e moradia.

No âmbito regional, nove Ministérios brasileiros se uniram no Comitê Interministerial para Eliminação da Tuberculose e Outras Doenças Determinadas Socialmente (Cieds), criado em 2023. O objetivo foi elaborar estratégias para acabar com doenças que afetam desproporcionalmente as populações vulneráveis. O plano abrange 11 enfermidades, incluindo malária, esquistossomose, Doença de Chagas e hepatites virais, além da transmissão vertical da sífilis, hepatite B e HIV. Esta estratégia está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

O encontro vai até a quinta-feira (6) e reúne cerca de 250 delegados de 30 países e mais de 30 organizações internacionais. O evento é uma preparação para a reunião ministerial no Rio de Janeiro, em outubro, onde serão estabelecidos acordos sobre as temáticas discutidas ao longo do ano.

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