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GT DE INFRAESTRUTURA

Infraestrutura adaptada às mudanças climáticas é imperativo para os países

Não é mais uma escolha: todos os países do mundo, ricos, pobres ou em desenvolvimento, precisam ter uma infraestrutura adaptada às mudanças climáticas - realidade que já produz estragos, mortes e impactos em diferentes lugares. E o tema foi um dos tópicos da 3a reunião do Grupo de Trabalho de Infraestrutura, da Trilha de Finanças, que terminou na cidade de Foz do Iguaçu, no estado brasileiro do Paraná, nesta quinta (27).

27/06/2024 19:43 - Modificado há 9 meses
Representantes do Grupo de Trabalho de Infraestrutura fazem balanço final de sua 3a reunião, realizada na cidade de Foz do Iguaçu, no estado brasileiro do Paraná. Foto: Audiovisual G20

“Estamos no momento de refinar as entregas, os chamados deliverables, que serão apresentados aos chefes de Estado em novembro.  E conseguimos, nesta reunião, concluir as negociações de um relatório que traz recomendações para o financiamento de infraestruturas resilientes às mudanças climáticas”, disse o subsecretário de Finanças Internacionais e Cooperação Econômica do Ministério da Fazenda, Antonio Freitas. O relatório, produzido em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),  apresenta uma série de orientações a partir de boas práticas dos países que o G20 e será submetido para consideração dos ministros de Fazenda e presidentes de bancos centrais em julho, no Rio de Janeiro. 

Segundo o coordenador do GT de Infraestrutura, Marden Barboza, há três grandes linhas de ação que é preciso priorizar: a primeira é a importância de ter bons mecanismos de avaliação de áreas de risco, para que os governos e a iniciativa privada possam atuar. Depois, é incorporar a preocupação com a resiliência climática nos planejamentos de longo prazo, nas estruturas de orçamento, dando atenção para questões climáticas. E, por último, o financiamento. “Estas intervenções para criar infraestruturas climáticas resilientes têm um custo e aí a discussão: de onde vêm os recursos?”, provocou. Ele citou potenciais mecanismos, como a emissão de títulos, a colaborações de bancos multilaterais de desenvolvimento e participação de capital privado, entre outros.  “É urgente que a gente possa se antecipar ao invés de ficar reagindo aos desastres”, disse. 

Desigualdades estruturais

Já não é mais novidade que os países ricos são os que mais poluem e contribuem com o aquecimento global, suscitando o debate de que eles têm também a responsabilidade de contribuir mais com os efeitos de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas. “Os acordos feitos em Paris não estão sendo cumpridos pelos países desenvolvidos, parte importante do que poderia estar sendo destinado à infraestrutura de países pobres está sendo usada pra financiar conflitos, por exemplo”, ponderou o subsecretário Freitas. 

“Existem questões que estão muito além do escopo do Grupo de Trabalho de Infraestrutura, como as taxas de juros, por exemplo, mas elas perpassam as nossas discussões. São questões estruturais que estão sendo tratadas, em boa medida, no grupo de Arquitetura Financeira Internacional, mas que influenciam as discussões de vários outros grupos, está tudo interligado”, reforçou. “Como tudo é definido por consenso no G20, há questões sensíveis que precisam ser melhor discutidas, abordadas, aprimoradas… O Brasil, na presidência do grupo, tem procurado avançar nesses debates, tem propostas ousadas, mais estruturais e ambiciosas, que demandam um processo de negociação lento e intenso para que elas possam se materializar, muitas vezes levando anos”.

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