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G20 SOCIAL

Instituições de pesquisa listam fome e crise climática como prioridades para líderes mundiais

Documento produzido pelo Grupo de Engajamento T20 reúne propostas de think tanks a serem entregues aos chefes de Estado no encontro final do G20, que será realizado em novembro no Rio de Janeiro. Sob presidência brasileira, organizações da sociedade civil terão espaço inédito para entrega de propostas aos líderes.

11/08/2024 07:00 - Modificado há 8 meses
Conferência do T20 Brasil no BNDES com Christopher da Cunha, Paula Gopaul, Felipe Hees, Izabella Teixeira, Philani Mthembu, Elizabeth Sidropoulos (da direita para à esquerda). Foto: Everton Victor
Conferência do T20 Brasil no BNDES com Christopher da Cunha, Paula Gopaul, Felipe Hees, Izabella Teixeira, Philani Mthembu, Elizabeth Sidropoulos (da direita para à esquerda). Foto: Everton Victor

Medidas para promover transições energética, financeira e digital justas e ações para evitar e mitigar os efeitos das mudanças climáticas estão entre as propostas da sociedade civil para os líderes das 20 maiores economias do mundo, o G20. O chamado T20, grupo de think tanks (instituições que geram pesquisas e discussões sobre políticas públicas e questões socioeconômicas), se reuniu no Rio de Janeiro em julho para apresentar o resultado das reuniões de trabalho, que está disponível no Communiqué, um documento de 68 páginas com sugestões para serem discutidas na Cúpula de Líderes do bloco e incorporadas na declaração final.

O documento reúne dez recomendações principais e reforça que todas as propostas devem ser pautadas na troca de experiências e projetos já implementados entre as nações, sempre com um olhar mais atento aos países mais pobres. Entre as sugestões estão o apoio à criação de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, junto com uma cooperação multilateral com financiamento e uma política fiscal que promova justiça climática. Além disso, a declaração é a primeira do T20 que inclui o subtópico de Igualdade Étnico-Racial nas recomendações.

Apresentação dos Communiqués

A cidade do Rio de Janeiro vai receber tanto a Cúpula do G20 Social quanto a Cúpula final dos Chefes de Estado do G20. Foto: Divulgação
A cidade do Rio de Janeiro vai receber tanto a Cúpula do G20 Social quanto a Cúpula final dos Chefes de Estado do G20. Foto: Divulgação

T20, subgrupo de think tanks do G20 Social, reúne instituições da sociedade civil. O Brasil, atual presidente do G20, é pioneiro na criação dessa esfera de debate. O G20 Social reúne 13 grupos de engajamento temáticos (C20, para sociedade civil, Y20, para a juventude, L20 para sindicatos e assim por diante…). Cada um deles, assim como o T20, liberou ou ainda irá liberar um Communiqué com suas propostas. 

Ao todo, o T20 reúne mais de 120 pessoas divididas em seis forças-tarefa - que neste ano apresentaram mais de 300 policy briefs (instruções). Apesar de as discussões acontecerem com protagonismo brasileiro neste ano, empresas de todo o mundo foram convidadas a participar da elaboração dos trabalhos. A representatividade feminina também é destaque nesta edição: as três líderes do T20 Brasil são mulheres, enquanto nas co-lideranças elas representam 60%. 

O Communiqué do T20 é construído assim: cada força-tarefa produz suas instruções e libera uma declaração. Um grupo superior fica encarregado de analisar e criar as dez recomendações principais do documento, que unem demandas de vários ou todos os grupos de trabalho. O trabalho de cada uma também é apresentado em instruções específicas individualizadas. 

O Comitê Organizador do T20 é composto por duas instituições governamentais e uma não governamental. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e também o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), compõem a comissão. 

Uma das inovações que o comitê fez nesta edição foi entregar as propostas antes da Cúpula final do G20. Para Fábio Veras Soares, diretor de Estudos Internacionais do Ipea, é estratégica essa iniciativa, pois, durante os cinco meses que o Brasil ainda tem na presidência do bloco, o foco deve ser o debate sobre implementação das recomendações que foram elaboradas. 

Na prática, apesar de o T20 não poder efetivar as orientações, pode pressionar e influenciar os debates da Declaração de Líderes, transformando o Communiqué em políticas públicas em todo o globo. A reunião com as lideranças das principais economias do mundo vai acontecer nos dias 18 e 19 de novembro na cidade do Rio de Janeiro.

A formulação de cada proposta presente no Communiqué está sempre alinhada às prioridades definidas pela presidência brasileira no G20, com estudos e dados que fundamentam as sugestões. Fábio acrescenta que a diversidade de think tanks discutindo problemas e soluções vai além de ajudar países emergentes, mas pensar as desigualdades também no Norte Global. “Os países desenvolvidos têm que olhar suas políticas públicas e tentar melhorá-las, o que pode ser aprendido com o Sul Global”, conclui.

Poucos dias antes da reunião dos líderes mundiais do bloco, todos os grupos do G20 Social vão se reunir para discutir os trabalhos e as sugestões desenvolvidas durante todo o ano. A Cúpula do G20 Social será na cidade do Rio entre os dias 14 e 16 de novembro.

Por Everton Victor e Julia Lima. Conteúdo originalmente publicado pela Agência de Notícias Científicas da Uerj (Agenc)