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MUDANÇA DO CLIMA

Mudança do Clima: Aumento da temperatura pode ter efeito brutal

Força-tarefa discute o que pode, de fato, contribuir para alcançar a meta de não exceder o aumento da temperatura média do planeta em 1,5ºC, como estabelecido pelo Acordo de Paris.

12/03/2024 18:50 - Modificado há um ano

Fortalecer a necessidade de recursos financeiros significativos para que os países possam evitar o aumento da temperatura global é uma das prioridades que o Brasil quer abordar durante a presidência do G20. 

Os países do G20 detêm 80% do PIB mundial e cerca de 80% das emissões mundiais de gases poluentes. De acordo com o embaixador André Aranha Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, o esforço do Brasil é discutir o que de fato pode contribuir para alcançar a meta de não exceder o aumento da temperatura média do planeta em 1.5ºC, como estabelecido pelo Acordo de Paris e reiterado pela COP28 em Dubai.

“Nós vamos ter, na sequência da presidência brasileira do G20, a presidência do BRICS e a presidência da COP30. Então, o que nós estamos tentando fazer é assegurar que haja uma coerência de como o mundo vai tratar a emergência climática nos próximos dois anos e acho que há uma grande expectativa sobre o Brasil nesse sentido”, afirmou o embaixador.

Ele lembrou que as consequências do aumento da temperatura são negativas para todo o planeta e, em especial no Brasil, teria um efeito brutal nos ciclos naturais de chuva. O que, na visão do embaixador, reforça a importância da articulação com outra força-tarefa do G20 proposta pela presidência brasileira: a Aliança Global contra a fome e a pobreza.

A secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e coordenadora da Trilha de Finanças, Tatiana Rosito, enfatizou a necessidade de reajustar a ação e reajustar as finanças. “Isto significa repensar o papel do Estado, dos diferentes países, no chamado à ação de combate às mudanças climáticas e também debater como fazer frente ao chamado para ação em termos de mobilização de recursos financeiros”, afirmou.

O tema reajustando as finanças trabalha em três camadas. A primeira tem relação com a regulação do sistema financeiro internacional e em como ele pode ser capaz de gerar uma movimentação de recursos financeiros públicos e privados, sobretudo, em países em desenvolvimento. A segunda se refere a políticas para tornar possível a mobilização de recursos e a terceira envolve a atuação não só dos bancos multilaterais de desenvolvimento, mas também dos bancos públicos, nacionais e regionais. 

De acordo com o chefe da Consultoria de Relações com Organismos Internacionais do Banco Central, Paulo Mamede, a contribuição do BC está em buscar um padrão para os relatórios financeiros de instituições e empresas no intuito de levar transparência aos investidores. E assim contribuir com o interesse em alocar recursos para ações climáticas.

Depois de dois dias de reunião, a equipe está otimista. “Percebemos um engajamento, uma atuação bastante propositiva de todos os países e das organizações internacionais envolvidas em fazer comentários e sugestões para aprimorar a agenda e os resultados desse grupo de trabalho”, comemorou o Coordenador de Projetos, Hugo Mendes, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Países do G20 são responsáveis por cerca de 80% das emissões mundiais de gases poluentes. Crédito: V. Walakte/Freepik
Países do G20 são responsáveis por cerca de 80% das emissões mundiais de gases poluentes. Crédito: V. Walakte/Freepik

A Força-tarefa para Mobilização Global contra a Mudança do Clima é uma novidade no G20 e foi proposta pelo presidente Lula. Ela é responsável por promover o diálogo entre governos, instituições financeiras e organismos internacionais para auxiliar na implementação dos objetivos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e do Acordo de Paris. A próxima reunião da Força-tarefa está marcada para os dias 4 e 5 de abril em Brasília.

Homenagem ao Conselheiro Daniel Machado da Fonseca

Durante a reunião, foi feita uma homenagem à memória do Conselheiro Daniel Machado da Fonseca, diplomata brasileiro que coordenava a Força-tarefa para Mobilização Global contra a Mudança do Clima. Ele faleceu durante uma missão de trabalho no dia 3 de março, em Kigali, Ruanda.

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