Mudanças do Clima, produção regional de insumos e fortalecimento do conceito de "Uma Só Saúde": respostas eficazes a crises no topo das prioridades do G20
Expectativa é de que, pela primeira vez no G20, seja feita uma declaração especial sobre mudança do clima e seu impacto na saúde. Probabilidade de novas pandemias torna urgente a implementação de saídas que protejam populações vulneráveis e garantam que todos tenham acesso a vacinas e medicamentos. Temas estão na pauta da última reunião do GT de Saúde, que acontece até quinta (31) no Rio de Janeiro.

Às vésperas da reunião de ministros da Saúde do G20, a ministra brasileira Nísia Trindade enfatizou a importância da abordagem Uma Só Saúde como saída para enfrentar desafios emergentes e reemergentes, como pandemias, resistência aos antimicrobianos, mudanças do clima e outros desafios à saúde das populações. Segundo ela, o conceito Uma Só Saúde, que tem sido tema central do Grupo de Trabalho de Saúde, desde a sua criação durante a Presidência alemã do G20, tem o potencial de ser uma ferramenta valiosa para lidar com vários desafios da saúde global, fomentando o diálogo e as iniciativas conjuntas dos países do Fórum.
Em discurso na reunião do GT, que acontece até sexta (31), a ministra enfatizou que a abordagem oferece oportunidades para desenvolver e implementar programas, políticas públicas, legislações e pesquisas, nos quais diversos setores e disciplinas colaboram para alcançar melhores resultados nas estratégias de saúde humana, animal, vegetal e ambiental.
Com impacto direto na saúde, as mudanças climáticas passam a ser um tema indissociável das políticas públicas de saúde. Atualmente, regiões subtropicais temperadas em que não havia dengue, hoje passam a ter. Ondas de calor são responsáveis por um aumento de 167% do número de mortes na população idosa, segundo artigo publicado na revista científica Lancet.
“Temos desafios endêmicos a serem resolvidos. O controle de um insumo de saúde não pode ter a hegemonia de um único ator, uma só indústria. Acreditamos que podemos produzir, mas há resistência em compartilhar essa tecnologia por vantagens históricas e de manipulação do produto. A transferência é uma questão de igualdade”, detalhou Motsoaledi.
Ela esclareceu que o conceito de Uma Só Saúde Também está conectado à proposta de criação da Coalizão Global para Produção Local e Inovação, braço na saúde da Aliança contra a Fome e a Pobreza, uma das entregas da presidência brasileira do G20, que visa melhorar o acesso a vacinas, medicamentos e diagnósticos para doenças que afetam populações vulneráveis.
A ideia é fortalecer a produção local e regional de vacinas, medicamentos e insumos essenciais para a saúde pública, focando em atender populações negligenciadas e responder de maneira ágil a futuras crises sanitárias. A ministra ressaltou que essa iniciativa é essencial para reduzir a dependência de importações e promover uma resposta rápida a surtos futuros, uma pauta que deve se estender também ao BRICS, do qual o Brasil é parte. “A produção local e regional é uma prioridade, e estamos aqui para fazer acontecer, estreitando laços e apoiando financeiramente iniciativas estratégicas”, completou.
O ministro da Saúde da África do Sul, Honourable Aaron Motsoaledi, destacou que o país foi uma das últimas regiões a receber vacinas e terapias contra a Covid-19, enfrentando desafios endêmicos. Ele enfatizou que o controle de vacinas e medicamentos não deveria ser exclusivo de uma indústria, defendendo a transferência de tecnologia como uma questão de igualdade.
“Temos desafios endêmicos a serem resolvidos. O controle de um insumo de saúde não pode ter a hegemonia de um único ator, uma só indústria. Acreditamos que podemos produzir, mas há resistência em compartilhar essa tecnologia por vantagens históricas e de manipulação do produto. A transferência é uma questão de igualdade”, detalhou Motsoaledi.
A proposta brasileira sugere que o financiamento da coalizão seja voluntário e que cada projeto seja financiado através de acordos específicos entre os envolvidos, sem contribuições obrigatórias. A seleção dos projetos levará em conta o potencial de impacto na promoção da saúde global, priorizando doenças e populações em maior situação de vulnerabilidade.
Nesta quinta (31) acontecem as reuniões ministeriais de Saúde e da Força-Tarefa de Finanças e Saúde onde os temas serão discutidos, com a expectativa de que sejam firmados consensos entre as autoridades.