Não apenas sentar à mesa, mas participar das decisões: Y20 realiza Diálogos Sociais
Desenvolvimento sustentável, empregabilidade das e dos jovens e reforma da governança global foram os temas que balizaram o segundo dia da Cúpula do Youth 20, na Ação da Cidadania, Rio de Janeiro. Os eixos estiveram em debate nos Diálogos Sociais, que continuam nesta quarta-feira (14).

Qual o espaço das e dos jovens nas matérias internacionais? As e os delegados do grupo de engajamento Youth 20 estão certos de que não basta que a juventude seja citada nos documentos temáticos ou seja convidada a participar dos eventos. A demanda não é para que apenas sejam ouvidos, vai além: serem considerados nos processos de construção e decisões das agendas de seus países e do globo, como em temas de desenvolvimento sustentável, mundo do trabalho e reforma da governança global. Estes eixos centralizaram as discussões dos Diálogos Sociais, no segundo dia (13) de programação da Cúpula de Juventude do G20.
Com a Ação da Cidadania, no Rio de Janeiro, como palco aos painéis, representantes do Brasil, dos demais países do G20 e de organismos internacionais convidados puderam avançar em assuntos que irão compor a declaração do grupo, a ser concluída ao fim dos trabalhos, na sexta-feira (16). Ao tratarem do mundo do trabalho, a questão dos jovens “nem-nem” esteve em conta. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em relatório divulgado no último ano, revelou uma elevada proporção de jovens fora do mercado de trabalho e de programas de educação e treinamento. A pesquisa indicou que, um em cada cinco jovens no mundo, mais exatamente 20,4%, nem estudavam, nem trabalhavam, situação que origina a expressão.
Neste sentido, os painelistas abordaram o impacto das tecnologias da informação no mercado de trabalho, bem como os caminhos rumo a empregos verdes. Apontou-se que os jovens são nativos digitais, mas que isto não está sendo canalizado a criação e aproveitamento dessas habilidades pelos empregadores. Também esteve em pauta o papel da educação, em escolas e universidades, para uma formação relacionada às habilidades exigidas.
No que toca ao tema da reforma da governança global, um dos principais eixos de trabalho do G20 Brasil, que atravessa as discussões de outros grupos, as falas concordaram sobre a falta de sintonia das atuais diretrizes com o cenário mundial atual, fraturado em uma crise do multilateralismo. Apresentou-se que a governança dada não atende aos anseios e necessidades práticas e sociais das juventudes, as quais devem ser incorporadas aos processos de resolução.
“Além de sentar à mesa, a juventude precisa liderar. Quem entende melhor de inteligência artificial que a juventude, por exemplo!? Ou vamos deixar nas mãos daqueles que não deram conta de regulamentar as telecomunicações, de regulamentar a internet? Nós devemos nos apropriar desse debate, senão serão os donos dessas tecnologias que irão conduzir os processos. Saúde mental, a epidemia da nossa geração, temos também que termos liderança ao direito dos jovens a uma saúde mental digna. Da mesma forma, o tema do desenvolvimento sustentável, agenda urgente em frente à incapacidade da governança global atual. Nossa geração tem a missão, frente ao cenário catastrófico nos entregue, de indicar que há um futuro possível e mais digno”, disse Alexandre Pupo, da Assessoria Especial do Presidente da República do Brasil.
Os Diálogos Sociais continuam hoje (14), com painéis sobre Diversidade e Inclusão e sobre Combate à Fome e à Pobreza. Philippe da Silva e Daniela Costa são, respectivamente, os delegados brasileiros que coordenam os eixos. Ambos foram escolhidos a partir de uma seleção pública, a qual recebeu centenas de inscrições de jovens de todo o país.
Por Franciéli Barcellos