No G20, economistas destacam urgência em investimento em infraestrutura na África
Em evento promovido pela Trilha de Finanças do G20, especialistas apontam gargalos e prioridades para alavancar o desenvolvimento do continente africano. Mudanças do clima acrescentam urgência nas ações para o desenvolvimento do continente.

Por Mara Karina Sousa-Silva/Site G20 Brasil
O continente africano, mesmo maior em proporção territorial do que duas grandes potências mundiais: a China e os Estados Unidos, obtém apenas 4% do estoque de infraestrutura do mundo. O dado apresentado por Hannah Ryder, economista e CEO da Development Reimagined, revela a urgência de ampliar as possibilidades de financiamento em infraestrutura para impulsionar ações para o desenvolvimento da região.
A especialista conta os desafios para transporte de mercadorias e a necessidade de que sejam realizadas por via marítima entre os países da região. Hannah explica que a falta de capacidade dos portos e rodovias dos países em termos de logística, torna as transações comerciais extremamente caras, impactando significativamente o crescimento. “Há lacunas significativas de financiamento e preencher essas lacunas é difícil para os países. O estoque de infraestrutura que precisam construir é muito maior do que as próprias economias”, pontuou.
De acordo com Hannah, um estudo da Development Reimagined sobre o cenário da infraestrutura em 21 países africanos, estimou que serão necessários de 106 e 149 bilhões de dólares para preencher a lacuna de forma que essas nações dêem conta de atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Ela pontua como grande desafio que a melhoria do cenário nesses países ainda fica por conta dos governos locais e que os bancos multilaterais de desenvolvimento precisam ampliar o financiamento em infraestrutura no continente.
De acordo com Hannah, um estudo da Development Reimagined sobre o cenário da infraestrutura em 21 países africanos, estimou que serão necessários de 106 e 149 bilhões de dólares para preencher a lacuna de forma que essas nações dêem conta de atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Ela pontua como grande desafio que a melhoria do cenário nesses países ainda fica por conta dos governos locais e que os bancos multilaterais de desenvolvimento precisam ampliar o financiamento em infraestrutura no continente.
Ryder também identifica como problema o pouco recurso destinado pelas instituições de Bretton Woods para o continente, bem como que os modelos de financiamento atuais não funcionam para os países africanos, devido a diversos desafios históricos. “Os governos africanos são deixados por conta própria para lidar com esta questão. Faltam esforços internacionais sérios para atender às necessidades de infraestrutura africana”, salientou a economista.

Estratégia unificada para o desenvolvimento
Eric Ntagengerwa, chefe da divisão de Transporte e Mobilidade da União Africana, compreende que os países do continente precisam caminhar para uma abordagem unificada e estratégica sobre o investimento em infraestrutura. Para o engenheiro, o desafio não se limita apenas ao volume de investimentos, mas também à forma como os 55 países que compõem o fórum se preparam e abordam essas oportunidades. “Estamos encorajando os países na África a se unirem em projetos maiores, projetos regionais”, ressaltou.
Ntagengerwa mencionou que existem iniciativas em andamento de um amplo projeto de desenvolvimento de infraestrutura, que tem como objetivo aumentar a eficiência dos investimentos e promover maior integração entre as nações africanas. Ele reforçou a importância de desenvolver uma infraestrutura econômica inteligente, que não apenas promova a integração e o desenvolvimento, mas também contribua para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
“Estamos encorajando os países a terem um mercado único, onde as companhias aéreas africanas possam se conectar umas com as outras sem precisar de acordos bilaterais. Com a área de livre comércio continental africana, temos a oportunidade de ter mais projetos eficientes e prontos para os financiadores. Uma infraestrutura econômica inteligente reduzirá as emissões de gases de efeito estufa”, assegurou.
Otimismo frente aos desafios
Na perspectiva do economista Boitumelo Mashilo, membro do Ministério da Fazenda da África do Sul, o continente necessita investir em parcerias eficazes e melhorias nos fundamentos econômicos para impulsionar o desenvolvimento em infraestrutura, especialmente diante das crescentes preocupações com as mudanças do clima e os desafios financeiros enfrentados por muitas nações africanas.
"Temos nossos próprios objetivos de desenvolvimento como continente. Infelizmente, nos encontramos em composições conflituosas e, em alguns casos, especificamente na África, também temos muitos países com altos níveis de endividamento, e isso significa que temos que contar não apenas com nossos próprios recursos, mas com os recursos de outros", afirmou o economista.
Apesar do cenário delicado, Mashilo é otimista sobre as possibilidades de desenvolvimento e aposta em parcerias tanto entre os países como com a iniciativa privada para realizar as ambições de infraestrutura. "Precisamos melhorar nossos fundamentos macroeconômicos e nosso ambiente regulatório. Isso é essencial; caso contrário, não vamos atrair o capital necessário. Em segundo lugar, acho que precisamos fortalecer nossos pactos por uma abordagem pragmática para a infraestrutura", concluiu o especialista.
Papel dos MDBs
Os debates aconteceram durante African Led Debate on Infrastructure, realizado na última semana como uma das entregas do grupo de trabalho Infraestrutura da Trilha de Finanças do G20. Mariana Davi, do Ministério da Fazenda do Brasil, mediou os debates. Também participaram Harold Tavares, diretor executivo suplente do Banco Mundial; e Mike Selawou, Diretor de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Banco de Desenvolvimento Africano (AfDB), apresentando as ações das instituições com soluções para o caso africano.
“É um momento desafiador, mas emocionante, para que possamos enfrentar as dificuldades. É importante que vejamos isso de forma construtiva e positiva, não só com a construção física, mas também digital. A capacidade de conectar pessoas, mercados e ideias é o que impulsiona o progresso”, disse Tavares.