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BIOECONOMIA

O que o G20 decidiu sobre bioeconomia - e o que isso tem a ver com a sua vida

Países integrantes do G20 definiram princípios para conciliar desenvolvimento e sustentabilidade com soluções baseadas na própria natureza, uma das pautas centrais nesta edição do Fórum. Os debates ocorreram na Iniciativa sobre Bioeconomia do G20, proposta pela presidência brasileira do G20.

17/10/2024 14:11

Temperaturas recordes, queimadas, clima seco, inundações - os efeitos das mudanças climáticas estão cada vez mais próximos do cotidiano global. Buscar soluções baseadas na própria natureza, com uma coordenação global para aplicá-las, é um dos temas centrais das diferentes reuniões do G20. Entre eles, a iniciativa de Bioeconomia, que reúne representantes das maiores economias do mundo.

Bioeconomia é um conceito que pensa o desenvolvimento econômico aliado à proteção ambiental. Imagine uma economia que não é dependente apenas do uso de fontes de energia fósseis, ou que aposta em energia limpa e minimiza os danos causados à natureza. Em síntese, um desenvolvimento com sustentabilidade, com a utilização de  recursos biológicos renováveis ao invés de combustíveis fósseis e outros recursos que degradam o meio ambiente. 

Na prática, se você está reciclando uma embalagem, reutilizando uma garrafa ou utilizando uma roupa biodegradável, já está contribuindo com a Bioeconomia. 

Delegados se reúnem na 4° reunião da iniciativa do G20 sobre Bioeconomia. Foto: Letícia Santana
Delegados se reúnem na 4° reunião da iniciativa do G20 sobre Bioeconomia. Foto: Letícia Santana

No encontro final do G20 sobre Bioeconomia, realizado em setembro no Rio de Janeiro, os participantes apresentaram os “Dez Princípios de Alto Nível sobre Bioeconomia, voluntários e não vinculativos”. Entre as propostas estão a inclusão de povos indígenas no debate, compartilhamento de boas práticas entre os países, criação de metodologias “comparáveis, mensuráveis e contextualizadas para avaliar a sustentabilidade em todas as cadeias de valor” e a promoção da restauração e regeneração de áreas e ecossistemas degradados. Apesar de um membro do G20 não ter a obrigatoriedade de aplicar estes princípios, por serem voluntários e não vinculativos, todos definiram em consenso que irão colocá-los em prática.

A bioeconomia representa hoje 25% de todo o Produto Interno Bruto Brasileiro, segundo um estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas). E o Brasil anunciou em agosto a criação de uma Estratégia Nacional Para a Bioeconomia, para formular diretrizes para o tema. Também está prevista a criação de um Plano Nacional para a Bioeconomia, com promoção à bioindustrialização, entre outras ações. 

No G20, as discussões sobre Bioeconomia são divididas em três eixos temáticos, sendo eles: Ciência, Tecnologia e Inovação para a bioeconomia; Uso sustentável da biodiversidade para a bioeconomia; O papel da bioeconomia para a promoção do desenvolvimento sustentável. As propostas buscam conciliar desenvolvimento, sustentabilidade, saberes ancestrais e parâmetros globais para o enfrentamento das mudanças climáticas. 

A ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, ressaltou a necessidade de idealizar uma Bioeconomia transversal na prática, que atravesse várias partes da administração pública e não seja apenas uma responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente dos países.

De acordo com Marina, a falta de parâmetros internacionais dificulta um esforço global coordenado sobre um tema que tem muito a contribuir com um “novo modelo de desenvolvimento”, pautado na transição ecológica. Para a ministra, ações que promovam a Bioeconomia devem acontecer também a partir dos governos, com cooperação e parâmetros globais para um novo modelo de desenvolvimento.

Por Everton Victor, Julia Lima, Letícia Santana. Conteúdo originalmente publicado na Agência de Notícias Científicas Uerj (Agenc)

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