Presidente Lula agradece respaldo dos países a presidência brasileira do G20 em Kazan
De acordo com o presidente, o apoio dos países do G20 foi fundamental para avançar em importantes iniciativas para a redução das desigualdades, como a taxação de super-ricos. Outra iniciativa bem recebida foi a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que já conta com a adesão de alguns países. Lula ainda ressaltou a importância do BRICS no enfrentamento das mudanças climáticas.

O presidente Lula iniciou seu discurso na Sessão Plenária Aberta da Cúpula do BRICS, nesta quarta-feira (23), em Kazan, na Rússia, agradecendo o apoio que os membros do G20 têm dado à presidência brasileira do fórum neste ano. De acordo com o presidente, o respaldo dos países do grupo foi fundamental para avançar em importantes iniciativas para a redução das desigualdades, como a taxação de super-ricos.
“Nossos países implementaram nas últimas décadas políticas sociais exitosas que podem servir de exemplo para o resto do mundo. Uma das iniciativas da presidência do Brasil, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza já está em fase avançada de adesões. Convido todos a se somarem à iniciativa, que nasceu no G20, mas está aberta a outros participantes”, disse.
O presidente ressaltou ainda que o BRICS é um ator relevante no enfrentamento da mudança climática, pois a maior responsabilidade recai sobre os países ricos, cujo histórico de emissões culminou na crise climática atual. Sem esquecer de mencionar, por outro lado, os países emergentes que também precisam se empenhar para limitar o aumento da temperatura global a um grau e meio
“É preciso ir além dos 100 bilhões anuais prometidos e não cumpridos, e fortalecer medidas de monitoramento dos compromissos assumidos. Os dados da ciência exprimem um sentido de urgência sem precedentes. O planeta é um só e seu futuro depende da ação coletiva”, defendeu Lula.
Dentro desse espírito de unir forças, segundo Lula, durante a COP 30 no Brasil, será possível mostrar aos países que é viável conciliar uma maior ambição em Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) com o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. A NDC é o plano de ação climático de cada país para reduzir suas emissões de gás do efeito estufa.
Cúpula do BRICS no Brasil
Em 2025, o Brasil sediará a XVII Cúpula do BRICS que deve reafirmar a vocação do bloco na defesa de um mundo multipolar e por relações menos assimétricas entre os países.
“Precisamos fortalecer nossas capacidades tecnológicas e favorecer a adoção de marcos multilaterais não excludentes, em que a voz dos governos prepondere sobre interesses privados”, afirmou o presidente.
Lula mencionou que o BRICS foi responsável por uma parcela significativa do crescimento econômico mundial nas últimas décadas. O bloco representa 36% do PIB global por paridade de poder de compra. Porém, apesar de unir países significativos para a economia global, de acordo com o presidente, o mundo vive um Plano Marshall às avessas. Ou seja, as economias emergentes e em desenvolvimento financiam o mundo desenvolvido. Por esse motivo, as iniciativas e instituições do BRICS rompem com essa lógica.
“Muitos insistem em dividir o mundo entre amigos e inimigos. Mas os mais vulneráveis não estão interessados em dicotomias simplistas. O que eles querem é comida farta, trabalho digno e escolas e hospitais públicos de acesso universal e de qualidade. E um meio ambiente sadio, sem eventos climáticos que ponham em risco sua sobrevivência”.
O lema da presidência brasileira do BRICS, ano que vem, será “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”. Uma frase que reflete essa nova maneira de pensar as relações internacionais.