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TRANSIÇÕES ENERGÉTICAS

“Se conseguirmos reduzir as emissões, ganhamos o debate”, afirma coordenadora do GT em ultimo de dia de reunião

Financiamento, a dimensão social e o uso dos combustíveis sustentáveis foram os principais temas abordados na reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas. As propostas da presidência brasileira foram bem recebidas pelas delegações estrangeiras. Combustível sustentável para a aviação (SAF) pode ser uma oportunidade de investimento para o Brasil.

29/05/2024 17:00 - Modificado há 10 meses
Coletiva de encerramento da 3º reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas. Crédito - Audiovisual do G20

Os países do G20 representam 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e também 80%  da emissão de gás carbônico na atmosfera. São os países mais ricos do mundo com realidades geográficas e culturais muito diferentes e todos têm desafios para implementar uma matriz energética sustentável. Portanto, durante três dias as maiores economias do mundo discutiram sobre a necessidade de uma transição do uso de combustíveis fósseis para as fontes renováveis que seja justa, adequada e viável para cada país. A 3º reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas encerrou nesta quarta-feira feira (29), em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, Secretário do Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, cada país terá que ter uma solução individual porque são dinâmicas muito diferentes. Os países desenvolvidos são economias atraentes para investimentos, por outro lado, nações em desenvolvimento necessitam de recursos para levar a frente projetos de transição energética.

O embaixador citou ainda o exemplo de países que tentaram substituir o uso do carvão por outras fontes, mas não foram bem sucedidos porque não tiveram planejamento. O que causou a falta de energia para a população e a indústria. Outros países enfrentaram protestos contra a transição energética porque ela ocasionou aumento na conta de energia. Por isso, “nós precisamos ampliar o uso das tecnologias já existentes, ampliar a escala para diminuir os preços e incentivar novas tecnologias para acelerar o combate à mudança do clima porque nós temos pouco tempo para impedir que a temperatura da terra ultrapasse o 1,5  grau”, afirmou André Corrêa do Lago.

Mariana Espécie, coordenadora do GT de Transições Energéticas, e assessora especial do Ministério de Minas e Energia, elencou as prioridades brasileiras defendidas na reunião - financiamento,  dimensão social e o uso dos combustíveis sustentáveis. Para Mariana, o Brasil apresentou uma perspectiva ampla considerando a multiplicidade de dimensões que precisam ser avaliadas nesse processo. O objetivo é ampliar o entendimento do que vem a ser uma transição energética justa levando em conta a perspectiva dos países em desenvolvimento.

“A gente está falando de transição energética, mas muita gente no mundo inteiro ainda não tem questões básicas como acesso à eletricidade ou acesso a tecnologias limpas para cozinhar seus alimentos e esses números precisam definitivamente ser superados”, defendeu a coordenadora.

De um modo geral, as principais propostas da presidência brasileira do G20 dentro do tema foram bem recebidas pelas delegações estrangeiras. 

Combustível sustentável de aviação

O biocombustível é uma solução lógica e que funciona há muito tempo no Brasil, embora algumas nações não aprovem ainda investir nessa alternativa. Porém, quando se trata de combustível sustentável para a aviação (SAF), o pensamento tem mudado. O embaixador André Corrêa do Lago acredita que o SAF pode ser uma oportunidade de investimento para o país e por isso a delegação brasileira procura obter uma concordância para que seja estabelecido um padrão de sustentabilidade a ser utilizado por todos os aviões ao redor do mundo. “Como é que você vai ter combustível sustentável de aviação se cada país acha que o seu combustível é melhor e não há padrão? Então, criar metodologias e padronização é uma das coisas que eu acredito que a gente vai poder contribuir de maneira importante”. 

É sabido que a aviação contribui para a emissão de gás carbônico e a coordenadora do GT, Mariana Espécie, acrescenta “o nosso objetivo é ter opções de baixo carbono e se conseguirmos reduzir as emissões, nós ganhamos o debate”.

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