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STARTUP 20

StartUp 20: Empreendedorismo e inovação às margens do Rio Amazonas

Na Amazônia brasileira, uma cidade é cortada pela Linha do Equador, unindo os hemisférios Sul e Norte às margens do majestoso Rio Amazonas. Conhecida pela preservação da Floresta e pela rica cultura miscigenada, Macapá, capital do estado do Amapá, se torna, por quatro dias, a capital mundial da criatividade e do empreendedorismo ao receber a reunião internacional do grupo de engajamento StartUp 20.

25/02/2024 07:00 - Modificado há 9 meses
Biojoias produzidas por artesãs indígenas utilizam matérias-primas naturais e sustentáveis e carregam cultura e história. Crédito: Aog Rocha/Secom GEA
Abertura da primeira reunião do Grupo de Engajamento StartUp 20, realizada em Macapá, capital do Amapá. Crédito: Jhon Martins/Secom GEA
Abertura da primeira reunião do Grupo de Engajamento StartUp 20, realizada em Macapá, capital do Amapá. Crédito: Jhon Martins/Secom GEA

Reunindo mais de 400 empreendedores, o primeiro evento do StartUp 20 - Grupo de Engajamento ligado ao G20 Social - acontece até o dia 26 de fevereiro em Macapá, capital do estado brasileiro do amapá, e conta com representantes do ecossistema de startups e tecnologia de 19 países (África do Sul, Alemanha, Arabia Saudita, Austrália, Bagladesh, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia,Inglaterra, Itália, Japão, Omã, Portugal, Rússia, Suíça e Turquia).

Discussões sobre macroeconomia e o potencial desenvolvimento econômico da região amazônica, painéis sobre inovação e empreendedorismo e visitas técnicas nas universidades e centros de pesquisa do Amapá fazem parte da programação do StartUp 20.

A abertura aconteceu no dia 23 de fevereiro e contou com a presença de autoridades locais e nacionais, como o ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil, Waldez Góes, que destacou que o G20 Social, do qual o StartUp 20 faz parte, é uma inovação da presidência brasileira do G20. “Cabe à sociedade civil engajar, mobilizar e organizar suas reivindicações para, quando chegar a Cúpula de Líderes em novembro, levar esta voz até eles”, disse. 

Ele enfatizou que atualmente, com as mudanças climáticas, “lidar com ciência, tecnologia, pesquisa e inovação sem considerar as questões de sustentabilidade, é passar por dificuldades muito maiores do que as que já estamos passando”. O ministro é o responsável pelo Grupo de Trabalho de Redução de Riscos de Desastres do G20, que terá sua primeira reunião durante a presidência brasileira nos próximos dias 27 e 28 de fevereiro, por videoconferência.

Nas plenárias do encontro, temas como governança e compliance em startups, o futuro do ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) nas startups, diversidade e inclusão nas startups, o papel dos investidores na ascensão do ecossistema e regulamentação da Inteligência Artificial.

Ingrid Barth destacou que o StartUp 20 está apenas começando, já que foi criado durante a presidência da Índia no G20, mas tem potencial para alavancar empresas, de base tecnológica ou não, e aumentar o fluxo de negócios e intercâmbios entre os países do G20. Até o final da presidência brasileira do G20, o Startup 20 terá dois encontros: um no Rio de Janeiro, em abril, e outro em São Paulo, em setembro.

Para a presidente da Abstartups e coordenadora do StartUp 20, Ingrid Barth, “mostrar o potencial inovador e empreendedor das startups aliado a projetos comprometidos com a sustentabilidade, em manter a floresta de pé, como os que são apresentados nesta reunião realizada na Amazônia, é um desafio e uma oportunidade para o trabalho do grupo de engajamento”. 

Argamassa produzida a partir de sedimentos do Rio Amazonas e rejeitos de mineração substituem cimento da construção civil em até 20%. Crédito: Divulgação
Argamassa produzida a partir de sedimentos do Rio Amazonas e rejeitos de mineração substituem cimento da construção civil em até 20%. Crédito: Divulgação

Empreendedorismo sustentável

Durante o encontro está sendo realizada uma feira de empreendedores, sobretudo da região amazônica, com soluções tecnológicas e utilização de matérias-primas sustentáveis - movimentando produtos e serviços que integram a bioeconomia. 

“Café” produzido a partir da semente do açaí, argamassa para construção civil feita a partir de sedimentos do rio Amazonas e rejeitos de mineração, biojóias feitas a partir de matérias-primas como sementes e fibras naturais, biodiesel produzido a partir de plantas de tabaco, soluções baratas e simples para testes de Covid-19… Várias iniciativas inovadoras alinhadas com a necessidade de preservação do meio ambiente, combate às mudanças climáticas e reversão da tendência de aquecimento global estão sendo apresentadas no evento. 

“Com a argamassa polimérica, estamos apresentando uma alternativa sustentável para a construção civil ao mesmo tempo em que geramos renda para mais de 400 famílias que trabalham na extração dos sedimentos do rio Amazonas”, explica Michael Tavares de Carvalho, da empresa amapaense Mazodan. “Não nos preocupamos com os princípios da ESG [Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês], porque já nascemos sendo a própria ESG. Apresentamos uma solução mais barata, ecologicamente e socialmente responsável, com tecnologia genuinamente amazônica, capaz de adentrar em mercados de todo o mundo”, finaliza.

“Café” feito da semente do açaí aproveita matéria-prima que seria descartada e é rico em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. Crédito: Jhon Martins/Secom GEA
“Café” feito da semente do açaí aproveita matéria-prima que seria descartada e é rico em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. Crédito: Jhon Martins/Secom GEA