Área de Delegados
COMBATE À FOME E À POBREZA

União dos países pode acabar com a fome no mundo, acredita diretor do Programa Mundial de Alimentos

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) da Organização das Nações Unidas, defende que os países se juntem em um esforço para acabar com a fome no mundo. Como na pandemia de Covid-19, em que uma vacina foi criada em tempo recorde, ele acredita que o trabalho em conjunto pode levar a soluções de combate à fome e à pobreza.

04/08/2024 07:00 - Modificado há 8 meses
Combater a fome deve ser uma prioridade dos países, defende Daniel Balaban. Crédito: Divulgação MDS
Combater a fome deve ser uma prioridade dos países, defende Daniel Balaban. Crédito: Divulgação MDS

Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2023, o número de pessoas que passavam fome no mundo chegava a mais de 750 milhões. Mudar essa realidade e enfrentar a fome e a pobreza no mundo é uma das prioridades da presidência brasileira do G20.

O diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) ligado a Organização das Nações Unidas, Daniel Balaban, e o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, assinaram um acordo para a promoção da segurança alimentar que envolve a compra de alimentos produzidos no Brasil para a distribuição em países onde há uma grande demanda.

Daniel Balaban é economista, formado pela Unisinos-RS, com MBA em Finanças pelo IBMEC e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Desde agosto de 2011, é Diretor do Centro de Excelência contra a Fome e representante do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas no Brasil. O Centro de Excelência é um precursor na Cooperação Sul-Sul para o compartilhamento de boas políticas públicas. Balaban concedeu entrevista exclusiva para a redação do G20 Brasil. Confira.

Como o Programa Mundial de Alimentos pode trabalhar em parceria com a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza?

Daniel Balaban e o ministro Wellington Dias (MDS) durante assinatura da parceria entre o Programa Mundial de Alimentos e o Brasil. Crédito: Roberta Aline/MDS
Daniel Balaban e o ministro Wellington Dias (MDS) durante assinatura da parceria entre o Programa Mundial de Alimentos e o Brasil. Crédito: Roberta Aline/MDS

O Programa Mundial de Alimentos é a maior agência humanitária das Nações Unidas, atende todos os dias mais de 200 milhões de pessoas ao redor do planeta. Essa Aliança Global vem exatamente tocar no nosso objetivo final que é fazer com que mais pessoas tenham acesso a alimentos e menos pessoas no planeta sofram esse mal terrível que é a fome. Nós estamos trabalhando já há muitos anos tentando levar alimentos a todas as pessoas ao redor do planeta e somente com uma Aliança Global fazendo com que todos os países mais ricos do mundo, junto com a ONU, junto com outras organizações, trabalhando com o mesmo foco, nós vamos conseguir atingir o nosso objetivo.

Quais programas de combate à fome temos no Brasil que o senhor acredita que possa ser replicado em outros países?

Hoje, nós já trabalhamos em vários países africanos levando o Programa de Alimentação Escolar brasileiro como modelo a ser seguido. Por exemplo, em Moçambique, nós temos um programa de alimentação escolar chamado Pronai que foi praticamente copiado do Programa Nacional de Alimentação Escolar brasileiro. Então, é muito importante países como o Brasil, que tem uma política pública que dá certo, sejam um exemplo para outros países do mundo que estejam começando a criar essas políticas públicas. Nós acreditamos muito que programas de alimentação escolar são importantíssimos porque levam as crianças às escolas e fazem com que elas tenham uma alimentação saudável. É muito importante que todos os países possam cooperar e levar adiante os seus exemplos de programas bem-sucedidos.

O que o acordo para a promoção de segurança alimentar realizado entre o Programa Mundial de Alimentos e o Brasil representa?

Hoje, praticamente nenhum produto brasileiro é vendido ao Programa Mundial de Alimentos, que compra produtos de vários países para alimentar esse contingente enorme de população desassistida. Está na hora do Brasil começar a participar e isso é bom porque os produtores brasileiros vão ter para quem vender, vai ter uma demanda maior pelos seus produtos. Então, eles sabem que vão poder investir cada vez mais na produção de alimentos e vai fazer com o que mais recursos venham para os produtores, que eles tenham mais dinheiro e possam produzir cada vez mais. E esses produtos serão extremamente importantes para fazer com que mais pessoas em países que enfrentam desastres naturais ou guerras e que não estão produzindo alimentos possam receber comida e sejam salvas. 

Gostaria que o senhor comentasse a importância dessa produção de alimentos com sustentabilidade e da cooperação entre os países

Eu acredito muito que toda vez que o planeta se une para tentar atingir um objetivo, ele consegue. Há pouco tempo atrás, nunca uma vacina teria sido criada em um ano. O planeta se uniu e criou uma vacina para Covid que funciona e está funcionando. Então, agora está na hora do planeta se unir para acabar com a fome, promovendo a sustentabilidade. E é preciso que cada vez mais pessoas tenham acesso a esses alimentos porque não adianta apenas produzir.  Nós temos mais de 750 milhões de pessoas no planeta passando fome. Por isso é muito importante a criação da Aliança Global. E eu tenho certeza absoluta que se a gente trabalhar em conjunto com os objetivos que estão sendo definidos, nós vamos chegar no ano de 2030 com praticamente mais ninguém no planeta passando fome.

Veja também

Carregando