Unificando temas estratégicos: reunião conjunta das Trilhas Sherpa e de Finanças
Em reunião conjunta inédita das Trilhas de Sherpas e de Finanças, com presença do presidente Lula, países-membros do G20 aproximam agenda política, social e ambiental da agenda financeira. Objetivo é que as prioridades elencadas pela presidência brasileira façam diferença real na vida das pessoas

Para que as prioridades discutidas pelos países-membros do G20 saiam do papel e façam diferença real na vida das pessoas, é fundamental que o dinheiro alcance projetos e ações de países em desenvolvimento.
É pensando neste encontro entre projetos e financiamento, que as Trilhas de Sherpas e de Finanças do G20 iniciaram os trabalhos sob a presidência brasileira realizando, desde já, reuniões conjuntas. A proposta, inédita na história do G20, foi bem recebida pelos países-membros e dialoga com as três prioridades colocadas para o Grupo no próximo ano.
São pautas urgentes, de um mundo em crise, que precisam não só de acesso imediato aos recursos financeiros já existentes, como necessitam de novos aportes - sobretudo por parte dos países desenvolvidos. A ideia é criar meios para que o dinheiro chegue na ponta com maior agilidade e facilidade aos locais mapeados e gere impactos concretos o mais rápido possível.
"Foram muitas as declarações, notas e relatórios adotados nos últimos anos. Mas nem sempre as decisões saem do papel. A articulação entre as trilhas política e financeira que compõem o G20 será essencial para o funcionamento exitoso do grupo", pontuou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em declaração durante a reunião conjunta das Trilhas de Sherpas e de Finanças.
Na Trilha de Finanças, há o esforço de mobilizar recursos públicos e privados para auxiliar países emergentes, em desenvolvimento e mais pobres. A embaixadora Tatiana Rosito, coordenadora da Trilha de Finanças do G20, pontuou a necessidade de parcerias entre estados e os setores público e privado, para atrair investimentos em diferentes projetos, de transição energética e adaptação às mudanças climáticas a combate à pobreza. "A solução da dívida, por exemplo, é crucial para o desenvolvimento desses países", afirmou.
"No caso do combate à fome e à pobreza e à desigualdade, há um acordo pleno entre os países para que este tópico avance de forma concreta", salientou o sherpa brasileiro, embaixador Mauricio Lyrio. "É uma questão urgente, que precisa de esforços globais", salientou.
Temas transversais
Os temas apresentados pela presidência brasileira como prioritários para discussões e soluções do G20, são transversais e serão discutidos e encaminhados em diferentes Grupos de Trabalho das duas trilhas. Um exemplo é o GT de Finanças Sustentáveis, parte da Trilha de Finanças, que busca promover transições para sociedades de economias mais verdes, resilientes e inclusivas, identificando barreiras institucionais a estes recursos.
Ou o GT de Infraestrutura, também parte da Trilha de Finanças, que tem abordado como aumentar os recursos para desenvolvimento sustentável e como tornar as infraestruturas mais resilientes e inclusivas, mobilizando recursos de diversas fontes, especialmente para países em desenvolvimento e países mais vulneráveis.
Isto mostra que a agenda técnicas dos grupos de trabalho ao longo do ano serão fundamentais para a construção de consensos e propostas focadas em soluções que possam ser aplicadas imediatamente. "É inadmissível que um mundo capaz de gerar riquezas da ordem de 100 trilhões de dólares por ano conviva com a fome de mais de 735 milhões de pessoas e a pobreza de mais de 8% da população", disse Lula.
Reunião conjunta
O primeiro ciclo de reuniões do G20 Brasil começou na segunda-feira (11) e vai até sexta-feira (15), em Brasília, no Palácio Itamaraty. O encontro desta quarta-feira (13) que contou com discurso de abertura do presidente Lula, entrelaça os trabalhos das Trilhas de Sherpas e de Finanças e conta com representações de 19 países, das Uniões Africana e Europeia, bem como de vice-ministros das Finanças e vice-presidentes de bancos centrais do G20.
Após este primeiro ciclo de alinhamentos dos trabalhos para a cúpula, que será realizada em novembro de 2024 no Rio de Janeiro, as próximas reuniões do G20 estão previstas para a segunda semana de janeiro, por videoconferência.