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GT DE EMPODERAMENTO FEMININO

"A maioria dos países não abre mão da igualdade de gênero", diz ministra das Mulheres do Brasil

Evento inédito lança bases para ações de promoção da igualdade de gênero, que terá continuidade durante a presidência do G20 pela África do Sul, em 2025. Propostas incluem políticas de combate à violência contra as mulheres, inserção de mulheres na economia digital e criação de uma política global de cuidados.

11/10/2024 16:55 - Modificado há 6 meses
Abertura da reunião ministerial de empoderamento feminino em Brasília. Foto: Audiovisual/G20
Abertura da reunião ministerial de empoderamento feminino em Brasília. Foto: Audiovisual/G20

Marcando um momento histórico no esforço global pela igualdade de gênero, o encontro do G20 reuniu líderes dos países-membros e ministras brasileiras envolvidas nas pautas de igualdade de gênero e empoderamento das mulheres. Nesta sexta-feira (11) a primeira reunião ministerial de Empoderamento Feminino da história do G20 aconteceu em Brasília. Durante a abertura, a delegação sul-africana garantiu que o Grupo de Trabalho terá continuidade durante a presidência de 2025.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, abriu a reunião destacando a importância desse marco e a participação de várias ministras brasileiras e da primeira-dama do Brasil, Janja da Silva. Estavam presentes as ministras Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Marina Silva (Meio Ambiente), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania). Cida enfatizou que "este encontro marca um ano intenso de construções, diálogos e negociações sobre a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres com as maiores e mais importantes economias do mundo". 

Ao longo de 2024, equipes técnicas se reuniram para debater temas fundamentais como o desenvolvimento econômico e social das mulheres, resultando na construção de compromissos concretos que colocam a igualdade de gênero como prioridade. "Nós buscamos, nesse espaço do G20, compromissos que coloquem as mulheres no coração das estratégias de crescimento econômico e desenvolvimento de nossos países, que abram as portas da ciência e da tecnologia para meninas e jovens", declarou Cida Gonçalves.

A ministra falou da urgência de derrubar as barreiras que impedem as mulheres de alcançar os espaços nos altos escalões, como a violência de gênero, a misoginia, e a discriminação no mercado de trabalho. "Não basta falar de oportunidades se não enfrentarmos as barreiras que impedem as mulheres de alcançá-las", destacou Cida, ressaltando que o empoderamento feminino precisa incluir todas as mulheres, especialmente as mais marginalizadas.

Boletim G20 Ed. 239 - Ministra brasileira destaca importância de colocar as mulheres no centro das políticas econômicas, tecnológicas e climáticas

11 de outubro de 2024
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Durante a reunião, foram destacados alguns avanços alcançados ao longo de 2024, com a incorporação da igualdade de gênero nas pautas de diversos grupos de trabalho do G20, como o GT de Emprego, que reconheceu a economia do cuidado como um tópico vital para a promoção da autonomia das mulheres, e o GT de Transição Energética, que pautou o impacto desproporcional da pobreza energética sobre as mulheres.

Durante a reunião, foram destacados alguns avanços alcançados ao longo de 2024, com a incorporação da igualdade de gênero nas pautas de diversos grupos de trabalho do G20, como o GT de Emprego, que reconheceu a economia do cuidado como um tópico vital para a promoção da autonomia das mulheres, e o GT de Transição Energética, que pautou o impacto desproporcional da pobreza energética sobre as mulheres.

A ministra também reforçou que "o G20 tem a oportunidade de liderar", mostrando ao mundo que é possível construir economias fortes e justas com a igualdade de gênero no centro das políticas públicas. Ela mencionou que as negociações levaram à criação de um documento que representa "um avanço significativo", resultado de um processo de intensa diplomacia e cooperação internacional.

Impacto das mudanças climáticas na vida das mulheres

Outro destaque foi o papel central que as mulheres desempenham nas questões climáticas. Cida Gonçalves observou que "não basta reconhecer que as mulheres são as mais afetadas pelas mudanças climáticas. Precisamos colocá-las no centro das soluções para a crise climática". A ação climática com perspectiva de gênero foi apontada como uma das prioridades, reconhecendo que as mulheres são fundamentais na adaptação e mitigação dos impactos ambientais.

Durante a reunião, a primeira-dama do Brasil, a socióloga Janja Lula, destacou o compromisso do país com a pauta feminina, mas acredita que; “infelizmente ainda temos um longo caminho a percorrer, principalmente para a efetivação da igualdade de gênero”. Janja ressaltou a importância de garantir que as pautas de igualdade de gênero façam parte das políticas públicas globais. 

"Conseguir acessar alimentos de qualidade suficientes para sua nutrição, trabalho e renda, para o sustento de suas famílias, é a condição humana mais essencial para que mulheres e meninas possam usufruir de outros direitos e saírem da condição de exclusão. É inaceitável que estejamos com o PIB global na casa de trilhões, mas que milhares de meninas e mulheres ainda tenham que andar quilômetros para buscar água, alimento e ainda cozinhar com lenha, carvão e querosene, especialmente nos países do Sul Global”. 

"Conseguir acessar alimentos de qualidade suficientes para sua nutrição, trabalho e renda, para o sustento de suas famílias, é a condição humana mais essencial para que mulheres e meninas possam usufruir de outros direitos e saírem da condição de exclusão. É inaceitável que estejamos com o PIB global na casa de trilhões, mas que milhares de meninas e mulheres ainda tenham que andar quilômetros para buscar água, alimento e ainda cozinhar com lenha, carvão e querosene, especialmente nos países do Sul Global”.

A criação da Aliança Global contra a Pobreza e a Fome foi apontada como uma ferramenta importante para diminuir as desigualdades que afetam principalmente as mulheres em todo o mundo. Cida Gonçalves passou uma mensagem de esperança e compromisso: "A igualdade de gênero é uma condição para o desenvolvimento sustentável e econômico. Temos motivos para estarmos esperançosas. O caminho à frente é desafiador, mas o compromisso demonstrado pelos membros do G20 nos dá força para continuar."

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