Boletim G20 Ed. 226 - Lula defende reforma da ONU e cooperação global em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas
Em Nova York, o presidente brasileiro abordou temas centrais, como a crise do clima, a desigualdade social, os conflitos armados e a reforma das instituições internacionais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU. Lula destacou o compromisso do Brasil com a democracia e o combate à fome, e convidou os países a participarem da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que será lançada no Rio de Janeiro, em novembro, pela presidência brasileira do G20. Ouça a reportagem e saiba mais.
Repórter: O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iork, com um discurso contundente sobre os desafios globais e a necessidade urgente de fortalecer o multilateralismo. O presidente destacou que o recente Pacto para o Futuro, adotado pela ONU, reflete as limitações das negociações globais.
Lula: Nem mesmo com a tragédia da COVID-19, fomos capazes de nos unir em torno de um Tratado sobre Pandemias na Organização Mundial da Saúde. Precisamos ir muito além e dotar a ONU dos meios necessários para enfrentar as mudanças vertiginosas do panorama internacional.
Repórter: A respeito de conflitos globais e papel da ONU, Lula expressou preocupação com o aumento das tensões geopolíticas, citando o recorde de conflitos em 2023.
Lula: Os gastos militares globais cresceram pelo nono ano consecutivo e atingiram 2,4 trilhões de dólares. Mais de 90 bilhões de dólares foram mobilizados com arsenais nucleares. Esses recursos poderiam ter sido utilizados para combater a fome e enfrentar a mudança do clima.
Repórter: Em relação à crise do clima, o presidente afirmou que o Brasil está comprometido com a redução das emissões de carbono e destacou a redução de 50% no desmatamento da Amazônia em 2023.
Lula: 2024 caminha para ser o ano mais quente da história moderna. A Amazônia está atravessando a pior estiagem em 45 anos. O meu governo não terceiriza responsabilidades nem abdica da sua soberania. Já fizemos muito, mas sabemos que é preciso fazer mais.
Repórter: A respeito de desenvolvimento sustentável, o presidente brasileiro defendeu o potencial da bioeconomia.
Lula: Somos hoje um dos países com a matriz energética mais limpa. Fizemos a opção pelos biocombustíveis há 50 anos, muito antes que a discussão sobre energias alternativas ganhasse tração.
Repórter: Lula dedicou parte de seu discurso à crítica das desigualdades econômicas globais.
Lula: A fortuna dos 5 principais bilionários mais que dobrou desde o início desta década, ao passo que 60% da humanidade ficou mais pobre. Os super-ricos pagam proporcionalmente muito menos impostos do que a classe trabalhadora. Para corrigir essa anomalia, o Brasil tem insistido na cooperação internacional para desenvolver padrões mínimos de tributação global.
Repórter: No campo das reformas globais, Lula foi enfático ao defender a necessidade de mudanças profundas na ONU.
Lula: Estamos chegando ao final do primeiro quarto do século XXI com as Nações Unidas cada vez mais esvaziada e paralisada. É hora de reagir com vigor a essa situação, restituindo à Organização as prerrogativas que decorrem da sua condição de foro universal.
Repórter: Por fim, Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a democracia e o combate à fome.
Lula: Só em 2023, retiramos 24 milhões e 400 mil pessoas da condição de insegurança alimentar severa. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que lançaremos no Rio de Janeiro em novembro, nasce dessa vontade política e desse espírito de solidariedade.
Repórter: A Assembleia Geral das Nações Unidas reúne líderes de 193 países. Como é tradição desde 1947, o Brasil é o primeiro país a se pronunciar no debate geral, quando o governo brasileiro apresenta suas prioridades nacionais e internacionais.