Boletim G20 Ed. 247 - Corrupção agrava desigualdades e drena recursos dos mais vulneráveis, alertam secretários da CGU no G20
A reunião do Grupo de Trabalho Anticorrupção do G20, em Natal, reforçou a necessidade de cooperação internacional e a promoção da integridade, tanto no setor público quanto no privado. Ouça a reportagem e saiba mais.
Repórter: A reunião ministerial anticorrupção do G20, realizada em Natal (RN), trouxe à tona discussões substanciais sobre a integridade pública e privada, além de destacar o impacto da corrupção nas desigualdades sociais e ambientais.
Durante balanço final do evento realizado na capital potiguar, os representantes da Controladoria-Geral da União (CGU), Marcelo Pontes Vianna, Secretário de Integridade Privada, e Izabela Moreira Correa, Secretária de Integridade Pública, apresentaram os resultados obtidos que culminaram na elaboração de uma Declaração Ministerial que será apresentada na Cúpula de Líderes do G20, nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro.
Marcelo Pontes enfatizou que o Grupo de Trabalho Anticorrupção focou em como o combate à corrupção pode contribuir para um mundo mais justo e sustentável.
Marcelo Pontes: A principal preocupação do grupo liderado pelo Brasil este ano, é como essas reuniões que reúnem representantes das maiores economias do mundo podem chegar à construção de produtos que convertam em mudanças efetivas para sociedade. Como que o combate à corrupção pode assegurar a implementação de políticas públicas que efetivamente resultem numa vida melhor para as pessoas.
Repórter: A reunião incluiu um evento paralelo com especialistas, onde foram discutidas maneiras de promover a integridade e enfrentar crimes de corrupção relacionados ao meio ambiente. Izabela Correa explicou que um dos principais objetivos foi "aprender com as experiências globais para construir políticas mais eficazes.
Izabela Correa: A gente basicamente debateu como que o enfrentamento à corrupção também pode avançar políticas e efetividade de políticas de meio ambiente.
Repórter: A importância do envolvimento do setor privado e a inclusão da sociedade civil no combate à corrupção foi destacada tanto por Marcelo quanto por Izabela.
Marcelo Pontes: Há um reconhecimento por parte dos governos de que o setor privado é parte fundamental no combate à corrupção. E ele precisa ser incentivado para também tomar uma posição em relação a isso.
Izabela Correa: A gente precisa pensar no setor privado, então pensar em como a gente avança em uma integridade, uma integridade por completo. Uma integridade que fala da integridade da corrupção, mas também fala de meio ambiente, direitos humanos, direitos trabalhistas. A gente precisa envolver a sociedade civil, e como a sociedade consegue vocalizar o que é interesse dela e como o Estado consegue estar pronto para isso. Eu estou falando também de uma sociedade envolvida no enfrentamento à corrupção.
Repórter: Ao serem questionados sobre a relevância do tema anticorrupção no contexto do G20, Marcelo e Izabela foram enfáticos sobre o impacto direto na vida das pessoas.
Marcelo Pontes: A corrupção desvia dinheiro desses recursos e encaminha recursos para outras formas de prioridade. É importante que a gente tenha uma série de práticas e procedimentos, e mais do que isso, uma cultura de integridade que assegure que os menos privilegiados consigam efetivamente ver a ação do Estado na vida deles. Quem faz o certo tem que ser beneficiado. Quem faz o errado tem que arcar com as consequências.
Izabela Correa: Quando a gente tem organizações robustas, organizações que conseguem refletir na política pública o interesse do cidadão, que esteja transparente, que estejam abertas, elas também conseguem entregar educação, saúde, desenvolvimento, meio ambiente.
Repórter: Em relação à presidência brasileira no Grupo de Trabalho Anticorrupção, a avaliação dos secretários da CGU é que o Brasil deixa um legado não apenas pelos documentos aprovados, mas também pela forma como liderou um processo de governança mais colaborativo e inclusivo.