Desigualdade de gênero: mulheres subsidiam a economia em pelo menos US$ 10,8 trilhões anuais com trabalho do cuidado
Relatório da Oxfam aponta disparidade econômica alarmante entre homens e mulheres em todo o mundo. Elas realizam mais de três quartos do trabalho de cuidado não remunerado em todo o mundo, montante que representa três vezes o tamanho da indústria global de tecnologia.Distribuição de poder e oportunidades também é desigual e prejudica mulheres

No contexto global, a disparidade econômica entre homens e mulheres é alarmante, refletindo não apenas uma desigualdade salarial, mas também uma distribuição desigual de poder e oportunidades. Em 2019, as mulheres receberam apenas 51 centavos por cada dólar ganho pelos homens, uma disparidade que se acentua ainda mais para mulheres pertencentes a grupos racializados e discriminados. Além disso, as mulheres são maioria nos empregos mais mal pagos e precários no mundo.
Os dados são do relatório "Desigualdade S.A. – Como o poder corporativo divide nosso mundo e a necessidade de uma nova era de ação pública", realizado pela Oxfam, confederação internacional de organizações que trabalham em conjunto para combater a pobreza e a desigualdade global.
Um aspecto crucial destacado no relatório é o papel vital que o trabalho de cuidado não remunerado desempenha na economia global. Estima-se que as mulheres subsidiem a economia em pelo menos US$ 10,8 trilhões anualmente – três vezes o tamanho da indústria global de tecnologia - realizando mais de três quartos do trabalho de cuidado não remunerado em todo o mundo.
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“Os baixos salários fazem com que muitos trabalhadores enfrentem longas jornadas e fiquem presos à pobreza, enquanto as persistentes disparidades salariais entre homens e mulheres e as pesadas cargas de cuidado não remunerado refletem uma economia global que se baseia na exploração sistemática das mulheres”, destaca trecho do documento, que foi divulgado na véspera da realização do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, na última semana.
O levantamento revela ainda que os homens acumulam um patrimônio de US$ 105 trilhões a mais do que as mulheres, evidenciando uma profunda desigualdade econômica. E que as mulheres, em nível global, são donas de apenas uma em cada três empresas.
“Os baixos salários fazem com que muitos trabalhadores enfrentem longas jornadas e fiquem presos à pobreza, enquanto as persistentes disparidades salariais entre homens e mulheres e as pesadas cargas de cuidado não remunerado refletem uma economia global que se baseia na exploração sistemática das mulheres”
O texto destaca outra triste realidade: as mulheres nas cadeias agroalimentares sofrem violações de direitos que intensificam a exploração e o abuso sistemático. Essas condições, somadas à desigualdade econômica, amplificam as vulnerabilidades das mulheres, especialmente aquelas de baixa condição socioeconômica, diante dos impactos das mudanças climáticas.

Soluções necessárias e urgentes
O relatório ressalta a necessidade de enfrentar essa desigualdade de gênero. Entre as propostas está pedir para as empresas verificarem e lidarem com problemas ambientais e de direitos humanos, colocar em prática regras que ajudem as mulheres e garantam que todos sejam tratados de forma justa, e dividir melhor o trabalho que não é pago, como cuidar da casa e dos filhos.
Incentivar políticas que facilitem o acesso das mulheres à propriedade de empresas é essencial. Isso pode ser alcançado por meio de programas de capacitação, acesso facilitado a financiamento e iniciativas de mentoria. Além disso, é fundamental implementar e reforçar leis que garantam a igualdade salarial, incluindo penalidades significativas para empresas que não cumprem padrões salariais equitativos, diz o relatório.
É fundamental implementar e reforçar leis que garantam a igualdade salarial, incluindo penalidades significativas para empresas que não cumprem padrões salariais equitativos, diz o relatório
GT Empoderamento de Mulheres
O novo Grupo de Trabalho de Empoderamento de Mulheres do G20 iniciou os trabalhos na última quarta-feira (17), dando a largada nos encontros realizados pela Trilha de Sherpas. As prioridades apresentadas pelo GT, que é coordenado pelo Ministério das Mulheres, para trabalhar com os membros do G20 ao longo de 2024 foram Igualdade - com focos na Autonomia e no Trabalho e Política de Cuidados -, Enfrentamento à misoginia e às violências e Justiça climática.
“A pauta da igualdade de direitos entre homens e mulheres é crucial para nós”, disse a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, em seu discurso de abertura dos trabalhos do GT. “Para o Brasil, é um grande orgulho presidir o G20 e ser o primeiro país a liderar os trabalhos entre governos pela redução da desigualdade de gênero”, completou.
Acesse aqui a íntegra do documento:
https://www.oxfam.org.br/forum-economico-de-davos/desigualdade-s-a/
*Conteúdo em parceria com o Ministério das Mulheres do Brasil