No G20, Brasil e Estados Unidos tratam de parceria inédita para promoção do trabalho digno
No ano em que os países que representam as maiores economias da América comemoram 200 anos de diplomacia, Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego no Brasil, e Julie Su, secretaria interina do Departamento de Estado do Trabalho dos EUA, reforçaram seus vínculos com avanços na Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

No último ano, os presidentes da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, lançaram uma parceria bilateral pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras. A iniciativa inédita entre os países surgiu com o objetivo de promover o trabalho digno, tema que neste ano baliza não somente a agenda das duas nações mas do G20, que congrega mais 17 países, além da União Africana e União Europeia.
“É a primeira vez em mais de 500 anos da história do Brasil em que sentamos com o presidente da República americano, em igualdade de condições, para discutir um problema crônico, que é a questão da precarização do mundo do trabalho”, disse o presidente Lula na ocasião do lançamento, em Nova York.
Assim, aproveitando a oportunidade das reuniões técnica e ministerial do Grupo de Trabalho em Emprego nesta semana, em Fortaleza, Brasil e EUA voltaram a sentar para tratar da parceria, que no início da semana já havia avançado ao lançar uma chamada pelos direitos dos trabalhadores em relação ao estresse térmico. O Chamado à Ação, junto a Organização Internacional do Trabalho (OIT), constitui-se em uma campanha com foco no diálogo social, pesquisa, conscientização e cooperação internacional para lidar com as consequências do calor extremo no trabalho setorial, nacional e internacional.
O ministro Luiz Marinho informou que a Alemanha aderiu ao chamado à ação, e que o debate de adaptação às mudanças climáticas precisa estar alinhado aos temas trabalhistas. "As transições energéticas precisam incluir a todos e a todas, não podemos ter transições em que parcelas de trabalhadores e de povos sejam excluídas nesse processo. Então, espero que todos ministros do Trabalho incorporem isso, venham trabalhando para que isso seja visto em sua plenitude. Pois a transição precisa chegar no chão da fábrica, nas empresas, no ambiente de trabalho. Isso tem que ser observado”, colocou ele.
Já ontem (24), as nações que representam as maiores economias do continente americano, realizaram o "Diálogo de Alto Nível com Trabalhadores no âmbito da parceria Lula-Biden". Participaram, pelo Brasil, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho e, pelo país estadunidense, a secretaria interina do Departamento de Estado do Trabalho dos EUA, Julie Su. Junto às forças sindicais dos dois países, foi possível avançarem sobre as prioridades e iniciativas acordadas, dando maior legitimidade aos assuntos. Brasil e Estados Unidos comemoram neste ano seu bicentenário de relações diplomáticas.
“Há três componentes da nossa parceria que gostaria de enfatizar. O primeiro é de um bom trabalho para todos, garantindo que ninguém fique para trás. O segundo é melhorar a proteção dos trabalhadores, fazendo cumprir as leis. E a terceira é construir a próxima geração de líderes trabalhistas”, declarou a secretaria norte americana. Julie Su também reforçou a importância da participação dos trabalhadores nos processos de discussão e implementação de políticas. “Todos devem ter acesso a um bom emprego e os trabalhadores devem ter o direito de se organizarem e terem voz, então você fortalece sua economia. É a melhor forma de construir as economias locais e de expandir as indústrias. É a melhor forma de fortalecer as cadeias de abastecimento e a segurança nacional, nós estamos vendo isso”, complementou.
Por Franciéli Barcellos